REFERÊNCIAS

É importante reconhecer que este livro não é o resultado de uma criação individual. Muitas pessoas me ajudaram a desenvolver tanto a história quanto o plano de fundo dos personagens que povoam o mundo gótico-fantástico de A Batalha do Apocalipse . Dentre elas, duas merecem especial destaque: Eduardo Leal e Roberto Zarour, ambos responsáveis pela criação de diversas seqüências essenciais, e pelas biografias dos indispensáveis Orion e Apollyon, respectivamente.

Desde pequeno, eu sempre fui fascinado por história e religião, e de certa forma sempre quis escrever uma obra que reunisse esses dois elementos em um universo feérico.

A inspiração primária veio, então, quando assisti ao filme Anjos Rebeldes ( The Prophecy – EUA, 1995), estrelado por Christopher Walken e dirigido por Gregory Widen, o mesmo de Highlander – O Guerreiro Imortal . A trama me arrebatou de imediato, e eu logo fiquei deslumbrado com a visão característica que Widen tinha de seus anjos. Na película, os celestiais são figuras com sentimentos humanos, vulneráveis ao ciúme e à inveja. Detestam a humanidade, por Deus tê-la amado acima de tudo.


Mas Anjos Rebeldes é só o principio de uma longa lista de fontes. A segunda inspiração veio dos quadrinhos do selo Vertigo, uma divisão adulta da DC Comics. Os títulos Hellblazer, Preacher e Sandman , mais precisamente, levam consigo a marca dos temas mágicos e sobrenaturais aliados à estética e ao linguajar contemporâneos. Na série Preacher , por exemplo, Jesse Custer é um pastor fracassado cujo espírito fundiu-se à alma de Gênesis, uma criatura celestial que escapara de seu cárcere no Paraíso.

Outras influências, menos claras, me ajudaram na lapidação de um mundo de fantasia. Para tal, autores como Robert E. Howard (o inventor de Conan, o Bárbaro ), J.R.R. Tolkien ( O Senhor dos Anéis ), James Clavell ( Shogun, Tai-Pan ) e Sir Thomas Mallory ( A Morte de Artur ) foram fundamentais. Busquei bases também em textos clássicos e religiosos, como o indiano Mahabarata e a própria Bíblia Sagrada, especialmente o livro do Apocalipse, ao qual associei com a passagem das Sete Trombetas.

Mas embora o conteúdo de A Batalha do Apocalipse tenha sua veia clássica, ele nada seria sem a forma contemporânea que conduz a narrativa. O meu lado adolescente, sustentado pela miscelânea visual dos desenhos animados japoneses e pela velocidade dos filmes de kung-fu, foi fundamental para a construção das cenas de combate. Também o estudo das tradições orientais e das artes marciais me ajudou a moldar a personalidade dos Querubins, tão semelhantes aos samurais, com sua devoção pela espada e seu compromisso com a honra.

E no centro da história está Ablon, o Anjo Renegado, personagem principal que conduz o leitor aos recantos mais profundos da minha imaginação. Dizem que os autores se projetam em seus protagonistas, e eu não posso negar a minha paixão pelo herói celestial. Sempre quis ser como ele, viajar pelo mundo, ser livre de obrigações e viver o meu próprio caminho. Mas os meus desejos não são particulares. É comum o arquétipo do andarilho, do cavaleiro errante, do curioso explorador. Mas é importante reconhecermos que não somos personagens, somos pessoas normais, iguais a todas as outras. Temos nossas obrigações, nossas responsabilidades e nossos compromissos.

Toda a arte é passível de interpretação, e eu acho que cada um deve tirar as suas próprias conclusões sobre A Batalha do Apocalipse . Para mim, a grande mensagem desse livro é aquela representada, no final, pelo livro em branco. A grande batalha de nossas vidas é a construção do nosso próprio futuro. É viver com dignidade, apesar da nossa natureza imperfeita. É aceitar os outros como iguais, e ao mesmo tempo ter consciência da nossa verdadeira importância, e da capacidade de reger o nosso destino. Somos os donos de nossos caminhos, os únicos responsáveis por nossas vitórias, e pelos nossos fracassos. Ninguém nos controla. Somos livres, e
essa é nossa única arma.

Eduardo Spohr, 14 de maio de 2006

Conheça todos os colaboradores de A Batalha do Apocalipse

- Pedro Pontes, músico e filósofo, foi o responsável pela criação do personagem Amael e pela seqüência final entre o mestre e o aprendiz.

- Gustavo Millet, o maior de todos os sonhadores, foi a inspiração de onde nasceu Nathanael, o Mais Puro.

- Fernanda Simões, uma companheira de todas as horas, é a verdadeira Shamira.

- Carlos Eduardo Spohr, meu pai, sempre acreditou em mim e em tudo me incentivou.

- Carlos Spohr, meu avô, me ensinou, desde cedo, a gostar de histórias fantásticas.

- Andrés Ramos, grande amigo e excelente desenhista industrial, foi o responsável pelo projeto gráfico de A Batalha do Apocalipse .

- Tiago Valenzuela, meu irmão, criou o general Baturiel e insistiu que ele tivesse uma lança.

- Guilherme Simões Reis, jornalista impecável e fera no português, me ajudou com a revisão do romance.

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