Cosmologia


“Leve consigo estas moedas. Você vai precisar delas para pagar o barqueiro do Styx, a caminho do Inferno”

- “O Corvo II”

Não só a Terra, mas todo o universo, está dividida por uma membrana mística denominada pelos celestiais de “Tecido da Realidade”. O Tecido da Realidade é a fronteira o que separa os dois mundos: o Mundo Físico e o Mundo Espiritual.

5. O Plano Etéreo

11. O Sheol

O Tecido da Realidade

O Tecido da Realidade, segundo os anjos Malakim, é formado pela consciência coletiva da humanidade. É uma defesa inconsciente dos homens a tudo aquilo ao qual não podem compreender, e tampouco afrontar. Ele nasceu quando o primeiro terreno, Adão, tomou razão de quem era, e passou a questionar a natureza do universo palpável.

Desde então, as pessoas vêm criando explicações lógicas para tudo o que vêem, costurando uma membrana psíquica entre aquilo que consideram real e o que julgam onírico. E essa força humana é tão exuberante que foi mesmo capaz de dividir o espaço, e segmentar as duas realidades distintas, o Mundo Físico e Espiritual.

Qualquer efeito místico produzido na realidade mundana é dragado dos planos além. A energia dos encantos dos magos provém de sua alma humana, que reside no Plano Astral. A potência das divindades dos anjos dimana de sua aura pulsante.

Assim, os feitiços devem atravessar a película para serem lançados no Mundo Físico. Quando mais grosso o Tecido, mais difícil é a mágica.

Antes do Dilúvio a membrana era muito mais fina, aliviando o ofício dos bruxos. Por outro lado, isso otimizava também o poder dos arcanjos, e a difusão de suas catástrofes. Hoje, só os humanos mais dotados podem manipular as forças incríveis.

O Mundo Físico

O Mundo Físico, também chamado de Plano Material, é o nosso mundo, o mundo dos seres vivos e das coisas mundanas.

Para os anjos e demônios, o mundo material é o seu campo de batalha.

Tanto o Céu como o Inferno estão muito bem guardados contra seus invasores, portanto invadi-los é um ato suicida, para ambos os lados.

Assim sendo, e levando em consideração que os interesses de ambas as facções estão mesmo na Terra, não é de se espantar que este seja o palco de seus mais calorosos conflitos.

O Mundo Espiritual

O Mundo Espiritual é tudo aquilo que está por trás do Tecido da Realidade. É um espelho do Mundo Físico, com diversas passagens e túneis para outros inúmeros reinos dimensionais, tais como o Céu e o Inferno.

No Mundo Espiritual, há muitas camadas sobrepostas, que refletem o Plano Material, e dentre elas as mais importantes e acessíveis são o Plano Astral e o Plano Etéreo.

O Plano Astral

O Astral, a primeira camada, é o reflexo, puro e simples, do Plano Físico. É por onde caminham as almas sem rumo, chamadas também de fantasmas, que ainda têm assuntos pendentes junto aos vivos, e que insistem em não aceitar o fato de estarem mortas.

No Plano Astral, as cores resumem-se a pálidos tons de azul; não há gravidade, e assim os viajantes podem se mover em todas as direções, e atravessar objetos do mundo palpável como se eles fossem apenas espectros de luz, projetados na parede por feixes de holofote.

O Plano Etéreo

A camada mais profunda, o Plano Etéreo, está separada do Astral por uma membrana semelhante ao Tecido da Realidade, chamada de Membrana Etérea. Esse é o lar dos poderosos espíritos desencarnados e dos deuses pagãos.

Embora a geografia do Etéreo seja a mesma que a do Mundo Físico, as construções e objetos feitos pelo homem não encontram reflexo por lá. Na verdade, as entidades que habitam o Etéreo ergueram suas próprias civilizações além das fronteiras da realidade humana. Por essa razão, as cidades, torres e palácios existentes nessa camada não são vistos ou percebidos pelos mortais, à exceção de magos ou sacerdotes dotados de poderes para isso.

É no Plano Etéreo que fica a famosa ilha mística de Avalon, venerada pelos povos celtas, e que por isso era avistada apenas por algumas pessoas, quando a membrana afinava e a conexão com o Mundo Espiritual permitia a sua observação. O templo dos deuses localizado no topo do Monte Olimpo, na Grécia, é igualmente uma construção etérea.

O Rio Styx

O rio Styx é um mistério até mesmo para os Malakim. Ninguém sabe sua origem, sua natureza, ou onde começa e onde termina. Sabe-se, contudo, que ele é um rio exclusivamente espiritual, que percorre o Etéreo em locais específicos. Suas águas agem da mesma forma que os portais, transportando o viajante para algum reino Superior ou Inferior.

O Styx tem muitas bifurcações e trilhas diferentes, todas memorizadas secretamente pelos Barqueiros.

Os Barqueiros são seres etéreos de procedência desconhecida. Eles parecem ser os únicos que conhecem a verdadeira natureza do Styx, e suas rotas. Mediante o pagamento adequado, essas entidades sinistras podem levar o forasteiro a qualquer lugar.

Viajar pelo Styx sem ajuda é complicado, e muitas vezes fatal. Embora as águas agitadas e tortuosas do rio não sejam aparentemente nocivas, elas guardam perigos ancestrais. De uma hora para outras vertentes amenas podem desembocar em corredeiras bravias, tornando o nado impossível e perigoso. Não obstante, alguns redemoinhos podem sugar os viajantes, e alguns deles são na verdade vórtices que levam a dimensões inexploradas. Além disso, muitas criaturas belicosas se escondem nas profundezas do rio, e elas não hesitam em atacar qualquer um que cruze seu território – muitas vezes em busca de comida. Inúmeros anjos, demônios e deuses encontraram a destruição total no leito do Styx.

Outros planos

Além do Astral e do Etéreo há outros planos sobrepostos ao Físico, porém menos conhecidos e visitados, e de mais difícil acesso. Alguns são curiosos, como o Mundo dos Sonhos; outros enigmáticos como a Dimensão dos Espelhos; e há também aqueles perigosos e sinistros, como o Plano das Sombras.

Passagens místicas

Há muitos tipos de conexões místicas que ligam as diversas dimensões. As principais são os portais, os vórtices e os vértices.

Os portais são sem dúvida o tipo de passagem mais visado. Eles ligam os reinos Superiores e Inferiores (como o Céu e o Inferno) ou o Etéreo diretamente ao Plano Material. Uma entidade que cruze esse umbral não precisa gastar energia para se materializar, passando para a dimensão adjacente usando o seu corpo espiritual, sem que para isso tenha que formar um avatar. Da mesma forma, um ser humano pode alcançar outro plano de existência com o seu corpo físico, sem precisar projetar o espírito. Os portais permanentes são muito raros e por isso são vigiados pelas criaturas nativas das dimensões a que estão ligados.

Os humanos praticantes de magia desenvolveram, com suas habilidades, rituais capazes de abrir portais, mas a duração desses está sempre limitada por algum desígnio, como conjunções estelares, atividades climáticas ou o esgotamento de material de sacrifício.

Feiticeiros malignos costumam abrir portais com freqüência, para invocar demônios em suas terríveis formas espirituais, e utilizá-los em prol de tarefas macabras.

Há ainda alguns portais, menos importantes, que têm a propriedade de conectar o Mundo Material ao Plano Etéreo, mas esses são raramente procurados.

Os vórtices são conexões parecidas com os portais, mas ligam algum reino Superior ou Inferior ao Plano Astral ou ao Plano Etéreo – mas nunca ao Plano Físico. Uma vez no Astral ou no Etéreo, o viajante ainda terá que utilizar sua própria capacidade de materialização para cruzar o Tecido da Realidade e chegar ao Mundo Material.

Por fim, os vértices não são exatamente passagens místicas; são sítios onde ocorre uma intercessão dimensional. São locais que existem tanto no Plano Material como no Plano Etéreo.

Esses pontos – onde os dois mundos se encontram – podem ser freqüentados tanto por seres humanos como por entidades em suas formas espirituais.

Naturalmente os vértices existem em espaços limitados, como pequenas grutas, templos e porões antigos.

Outras dimensões

Os planos Astral e Etéreo estão sobrepostos ao Físico, e se encontram na mesma dimensão. Mas há outras dimensões, ou outros universos.

Esses lugares longínquos e misteriosos, onde o ambiente e as leis físicas podem ser tão diferentes às nossas, ou tão parecidas, são alcançados através de vórtices e portais.

Duas dessas dimensões são de especial importância para os terrenos: O Paraíso e o Sheol, também conhecidos como o Céu e o Inferno.

O Paraíso

O Paraíso é uma dimensão única, um cosmo particular, e está dividido em sete camadas.

A primeira delas, chamada de Vilon, é o lar dos Ishim, e contêm celeiros de neve e granizo, reservatórios de orvalho e chuvas, câmaras de tempestades e cavernas de nevoeiro. A camada guarda, em si, quatro reinos, controlados por anjos poderosos.

Cada reino é regido por uma província elemental e, em seu centro, como uma imponente capital, encontram-se construções magnânimas – a Cidadela do Fogo, capital da Província do Fogo; o Templo do Trovão, capital da Província do Ar; o Castelo das Ondas, na Província da Água; e o Palácio de Areia, núcleo da Província da Terra.

Foi de Vilon que partiram as hecatombes de antigamente, como o Dilúvio e a Grande Tempestade de Gelo, que marcou o início da última Era Glacial.

No Segundo Céu, Raqui'a, reina a completa escuridão sobre os criminosos ali acorrentados à espera do Juízo Final. Esse Céu contém a Gehenna, e seu reservatório de trevas. Nesse local, os maus são punidos e os anjos da casta dos Hashmallim os torturam.

Por milhares de gerações, antes da Queda de Lúcifer, a Gehenna foi governada pelo próprio Lúcifer. Nessa época remota, era para lá que seguiam as almas dos homens perversos, daqueles que viveram na corrupção e precisavam pagar por seus pecados.

Após a guerra contra Miguel, e a condenação da Estrela da Manhã e de seus servidores, a camada deixou de ser um calabouço de mortos, e tornou-se um Purgatório, um lugar de julgamento. Se forem julgadas inocentes, essas almas podem seguir viagem rumo ao Terceiro Céu, e gozar das maravilhas do Éden, mas se forem declaradas culpadas são atiradas ao Poço Profundo, aos domínios do Diabo no Inferno. Assim, o Céu fica livre dos espíritos corrompidos, e o Sheol recebe com prazer os novos visitantes.

Em Raqui'a também está fixado o Cárcere do Medo, uma prisão destinada aos anjos foras-da-lei e aos demônios mais perigosos. Três dos anjos renegados, capturados com vida, foram trazidos para cá, para serem posteriormente assassinados, sob tortura.

No Terceiro Céu, Shehaquim, localiza-se o Éden, uma terra cheia de maravilhosas árvores frutíferas, colinas, montanhas, vales, planícies e florestas de magnífica beleza, onde reina a completa harmonia. Esse é o destino final dos justos que viveram em nome da honra e da bondade.

Inúmeras colônias espirituais – verdadeiras cidades onde impera a lei da caridade – estão espalhadas por todo o Éden. Elas são guiadas por almas evoluídas, como os espíritos dos santos, mártires e profetas.

O Jardim do Éden terreno recebeu este nome devido à sua incrível semelhança com o seu equivalente celestial. Shehaquim é a última camada permitida aos desencarnados, aos humanos já mortos.

O Quarto Céu, Zebul, é o Céu intermediário, a camada que divide o Paraíso. Dali para cima habitam os anjos e os arcanjos, e por isso Zebul está defendida por dezenas de fortalezas, patrulhadas pelos Querubins.

Esses fortes têm por objetivo bloquear qualquer invasão, garantir a integridade da morada dos alados, e salvaguardar o trono de Deus.

Logo acima desse, o Quinto Céu, Ma'on, abriga o Palácio Celestial, onde o Conselho dos Arcanjos toma suas decisões, assistido pela Assembléia dos Arautos – poderosos anjos que representam suas castas junto aos Gigantes. Atualmente, contudo, Miguel isolou-se de tal forma que a solidez do conselho se tornou uma farsa.

O Sexto Céu é chamado de Machon. Aqui fica a Casa da Glória, a grande biblioteca onde os Malakim observavam e estudavam os feitos da humanidade. É um lugar grandioso, de luz e sabedoria, onde o príncipe da ordem, Raziel, comandou por milênios os seus discípulos.

Em Machon havia ainda a Bancada da Paz, onde 300 anjos cantavam louvores ao Altíssimo. Agora, todavia, a biblioteca está vazia, e a bancada em silêncio. Há pelos menos 10 gerações, a casta dos Malakim, insatisfeita com a política celeste, abandonou o Sexto Céu, desaparecendo para sempre do cenário divino.

Por fim, no Sétimo Céu, Aravot, o próprio Deus descansa no topo de Tsafon, o Monte da Congregação. Apenas aos arcanjos é concedida a dádiva de visitar essa camada de luz.

O Sheol

Os Nove Infernos, o Inferno, ou o Sheol, como é chamado, representa a designação do lugar que inicialmente foi uma dimensão-cemitério, dedicada a abrigar os cadáveres de Tehom e dos Deuses das Trevas, vencidos por Jeová durante as Batalhas Primevas.

Após a Guerra no Céu, Lúcifer e seus seguidores se refugiaram no Sheol, proibidos até mesmo a caminhar sobre a terra dos homens. Assim, eles foram confinados ao lugar que os anjos chamam de o “Porão” do cosmo.

As camadas do Sheol estão dispostas uma após a outra, como os nódulos de uma cebola cortada ao meio.

As barreiras que dividem as camadas variam. Algumas são separadas por cordilheiras, outras por rios de lava e outras simplesmente por cercas. Esses limites funcionam muito mais como uma fronteira do que como uma passagem de dimensão.

É possível para qualquer demônio atravessar qualquer camada. Os impedimentos não são, por assim dizer, geográficos e políticos, e não místicos. Por isso, os duques e arquiduques têm a responsabilidade de defender seus próprios domínios.

As camadas infernais são como os reinos humanos. Elas são governadas por arquiduques, equivalentes a reis se comparados à hierarquia medieval humana. Dentro dessas camadas existem domínios, controlados por duques (senhores feudais). Tudo, porém, está sob a supervisão de uma autoridade maior: Lúcifer, que tem controle sobre todo o Sheol.

O Castelo do Arcanjo Sombrio localiza-se na nona camada.

Os domínios vivem em disputas políticas, e freqüentemente em guerra.

Dimensões afastadas

Além do Céu e do Inferno há inúmeras outras dimensões, e algumas são desconhecidas mesmo pelos arcanjos. É possível que essas dimensões tenham deuses próprios, leis cosmológicas, planetas distintos e planos de existência singulares.

Voltar ao topo