11/02/2014

Entidades jornalísticas lamentam a morte do cinegrafista Santiago Andrade

Galeria de fotos mostra o momento exato em que o repórter cinematográfico foi atingido pelo artefato.

RIO DE JANEIRO (Da Redação), 11 de fevereiro – A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgaram comunicados lamentando a morte do repórter cinematográfico Santiago Andrade, da TV Bandeirantes. O profissional foi atingido por um artefato explosivo na última quinta-feira (06/02), durante protesto no Centro do Rio de Janeiro contra o aumento das passagens de ônibus, e teve afundamento de crânio, vindo a falecer na segunda-feira (10).

Em seu comunicado, o SJPMRJ diz que “lamenta profundamente a morte cerebral do repórter cinematográfico Santiago Ilídio de Andrade, internado desde a quinta-feira (06/02) após ser gravemente ferido por um rojão durante protesto na Central do Brasil. Estamos unidos no luto, prestamos solidariedade à família e aos amigos e nos colocamos à disposição para qualquer ajuda que seja necessária”, diz trecho.

O mesmo sindicato havia divulgado na última sexta-feira uma nota sobre a falta de equipamentos de segurança. “Independentemente de onde tenha partido o artefato explosivo que feriu gravemente o repórter cinematográfico Santiago Ilídio Andrade, que trabalha na TV Bandeirantes, em protesto na Central do Brasil contra o aumento das passagens de ônibus, nesta quinta-feira (06/02), as imagens revelam que o profissional, assim como a maioria dos jornalistas atuantes nas coberturas de manifestações desde junho passado, não estava preparado para enfrentar um risco como esse. Os trabalhadores da imprensa sofrem hoje com a falta de equipamentos básicos de proteção individual, como máscara antigases e capacete, que deveriam ser fornecidos pelas empresas. Também não há logística adequada ou mesmo equipe de apoio. Esse quadro ocorre em uma conjuntura mais ampla, na qual o Estado não cumpre o dever de garantir a segurança dos trabalhadores e da sociedade”, diz a nota.

FENAJ E ABRAJI TAMBÉM LAMENTAM MORTE

Em seu boletim eletrônico nº 76, enviado por email, a Fenaj lamenta a morte do repórter cinematográfico e cobra ação das autoridades. “A Federação defende a adoção de um protocolo nacional que garanta aos jornalistas o direito à sua integridade e ao seu trabalho, a criação de um observatório nacional para acompanhar e fiscalizar crimes contra os profissionais de imprensa e a aprovação de uma lei que federalize a investigação dos crimes contra jornalistas. A entidade pede, também, uma reunião com o governador Sérgio Cabral Filho, para ampla apuração das responsabilidades pelo ato de violência que resultou na morte de Santiago Andrade. A Fenaj se solidariza com os parentes do profissional e seus colegas de redação neste momento de dor, se coloca à disposição para o que se fizer necessário e, mais uma vez, conclama a sociedade a se somar aos esforços da Federação e dos Sindicatos da categoria para dar um basta à violência que agride os jornalistas, o jornalismo e a democracia”.

Já em comunicado divulgado em seu site oficial, a Abraji diz que apesar de ter sido o primeiro caso fatal envolvendo jornalistas atacados durante os protestos de rua, os incidentes têm se multiplicado. “A Abraji lamenta a morte cerebral do cinegrafista Santiago Ilídio Andrade confirmada nesta segunda-feira (10) e se solidariza com familiares, amigos e colegas do profissional. Santiago foi ferido na cabeça por um rojão na noite de quinta-feira (6). Ele cobria uma manifestação, na região central do Rio de Janeiro, contra aumento das passagens de ônibus. A investigação da polícia aponta manifestantes como os responsáveis pela compra e disparo do rojão. É o primeiro caso fatal envolvendo jornalistas atacados durante os protestos de rua, mas os incidentes têm se multiplicado. Desde junho de 2013, a Abraji alerta para a escalada de violência e violações contra profissionais da imprensa. Desde que esta onda de protestos começou até o anúncio da morte de Santiago Ilídio Andrade, houve 117 casos de agressão, hostilidade – tanto por manifestantes quanto por policiais – ou detenção de jornalistas”, diz parte do comunicado da Abraji.

A entidade conclui cobrando ações do Estado. “A violência sistemática contra profissionais da imprensa constitui atentado à liberdade de expressão. É preciso que o Estado (Executivo e Judiciário) identifique, julgue e puna os responsáveis pelos ataques”.

Veja aqui uma galeria de fotos publicadas na edição online do jornal O Globo e que mostram o momento em que o repórter cinematográfico Santiago Andrade foi atingido.

Mario CavalcantiEntidades jornalísticas lamentam a morte do cinegrafista Santiago Andrade

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