Raquel Recuero
por — 18/04/2009 em Artigos

Twitter atinge mainstream: caso Ashton x CNN

Popular serviço pode estar se transformando em ferramenta mainstream nos Estados Unidos.

Por (@raquelrecuero)

Nos últimos dias, acompanhamos no Twitter a disputa entre o ator Ashton Kutcher (@aplusk) e a CNN Breaking News (@cnnbrk, conta recentemente adquirida pelo canal) em busca do um milhão de seguidores. Na quinta-feira (16), Ashton conseguiu o feito. Como resultado, Kutcher vai aparecer na Oprah (popular programa de variedades nos Estados Unidos), junto com Evan Williams (um dos fundadores do Twitter) para falar sobre o assunto. Sim, é claro que a Oprah também fez uma conta no Twitter e já tinha mais de 200 mil seguidores. Pela mesma via, a ferramenta já tinha aparecido no Colbert Report, programa de humor também popular nos EUA, onde Biz Stone (outro dos fundadores do Twitter) foi dar uma entrevista. E Colbert também fez sua conta lá. Nesses últimos dias, portanto, estamos acompanhando de perto a transformação do Twitter em uma ferramenta mainstream nos Estados Unidos. Sua popularização nas ferramentas de massa certamente levará milhões de novos usuários para o serviço. O Twitter está atingindo o mainstream. Mas qual será o impacto disso tudo?

A primeira coisa que é importante lembrar é que o Twitter tem um papel informativo que é diferencial das demais ferramentas sociais na Internet. E, para que este papel continue ativo e valorizado, é importante que as pessoas consigam acompanhar as informações que estão sendo divulgadas ali. Assim, o novo valor no Twitter será a atenção. Quanto mais pessoas entram no Twitter, maior a necessidade de filtros para a informação relevante.

Como é impossível seguir um número muito alto de pessoas e acompanhar essas mensagens, é preciso concentrar a atenção em determinados atores. Assim, parece-me que é bastante evidente que as redes no Twitter tenderão a centralizar-se cada vez mais em meio ao ruído informativo. Com isso, a informação tende a ficar cada vez mais especializada e menos diversificada no sistema, pois poucos atores terão visibilidade muito grande. É a famosa máxima de Barabási como regra de crescimento das redes: “os ricos ficam mais ricos“.

A segunda coisa a lembrar é que quanto mais gente no sistema, mais difícil é a conversação. Isso porque se mais amigos estiverem lá, mais escassa será a atenção que cada ator poderá dar a eles. Assim, responder a mensagens diretas e replies poderá ser cada vez mais difícil.  Esses dois elementos indicam que a função informativa poderá a ser exacerbada em detrimento da conversação. Aqui, novamente, vai ser necessário pensar em mecanismos para evitar o overload de informação.

A popularização do Twitter também pode enfrentar o problema óbvio da dificuldade em encontrar imediatamente um valor social para a ferramenta. Na minha experiência, as pessoas parecem interessar-se primeiro pela conversação. O caráter informativo é posterior e vai aparecendo como valor apenas com a experiência. Se assim for, é possível também que o Twitter enfrente um pico de acesso (como parece ter acontecido no Brasil), mas depois o número de usuários que realmente utilizam a ferramenta caia bastante.

De qualquer modo, é importante acompanhar o que vai acontecer com a ferramenta nos próximos dias. Se vai realmente tornar-se mainstream nos EUA ou não, só o tempo dirá.

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