Mario Cavalcanti
por — 27/03/2008 em Notícias

Delegado pede lei específica para pedofilia online

Rastreamento das informações seria a maior dificuldade, diz Carlos Sobral

Priscilla Mazenotti
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Carlos Eduardo Sobral, delegado da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, fala durante reunião da CPI da Pedofilia. Crédito: Antonio Cruz/ABr.Brasília – Para que pessoas que praticam pedofilia pela Internet sejam presas é preciso que o Brasil tenha uma legislação específica que regulamente esse tipo de crime.

Essa é a principal reclamação de delegados da Polícia Federal que participam nesta quinta-feira, 27, de reunião na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, no Senado.

A maior dificuldade, segundo Carlos Sobral, delegado que atua no combate a crimes cibernéticos, é o rastreamento das informações.

– A pessoa está no Brasil se comunicando com alguém na Alemanha usando um provedor de Internet na Rússia e buscando a imagem na China. Falta legislação que permita à polícia conseguir identificar com eficácia e rapidez os autores dos delitos – disse à Agência Brasil.

Ele ainda reclama que a lei não obriga os provedores de Internet no Brasil a arquivar dados dos computadores de seus clientes. Segundo o delegado, essa foi uma das principais dificuldades na Operação Carrossel, que investigou crimes de pedofilia pela Internet no fim do ano passado.

– [O arquivamento] poderia nos levar ao computador e ao autor da pedofilia e, simplesmente, a operadora, o serviço de telefonia não dispunha dessa informação. Só aí a pessoa já se livrou da investigação desde o início – disse o delegado.

A Operação Carrossel foi realizada em 25 estados. Ao todo, foram 102 mandados de prisão.

– Se tivéssemos condições de ter acesso a essas informações [dados do computador pela operadora] de forma rápida, com certeza, em vez de 102, seriam mais de 250 mandados – conta.

A operação ainda apreendeu 142 discos rígidos de computadores e 1.142 DVDs.

A facilidade com que os dados são trocados entre usuários de Internet é outro aspecto que preocupa os investigadores. Durante a fase de rastreamento de dados da Operação Carrossel, alertou o delegado, em apenas um computador de um acusado de pedofilia foram detectadas mais de 3 mil pessoas trocando arquivos e fotos.

– Antigamente, a pessoa que tinha acesso às imagens comercializava pessoalmente ou mandava pelo correio, era mais difícil. Com a Internet, se tornou mais fácil, apenas com um clique num teclado de computador ela pode disponibilizar para milhares de pessoas – explicou Sobral.

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