Mario Cavalcanti
por — 18/12/2007 em Notícias

Especial 2007 de fim de ano

Especialistas no meio online apontam os melhores eventos de 2007 e possíveis tendências para 2008

Se tivéssemos que resumir o ano de 2007 no mundo virtual, diríamos que foi interessante. Mais um ano de muita movimentação, novos serviços, aquisições e experimentações. Podemos apontar como destaques a consolidação dos vídeos online, uma adoção maior do uso de mapas virtuais por sites de informação e o início de uma grande corrida por parte de veículos de grande porte para a criação de versões de suas publicações para dispositivos móveis (aliás, para o JW, sites móveis serão um dos grandes pontos quentes do mercado em 2008).

Para celebrar o ano de 2007, JW convidou profissionais do meio online, ciberjornalistas e especialistas, para apontar acontecimentos de destaque ocorridos durante o ano e possíveis tendências para 2008. Acompanhe abaixo:

Bruno Mello
Editor Executivo do site Mundo do Marketing

Divulgação: Bruno Mello.

Eventos, recursos, serviços e/ou acontecimentos que mais chamaram a atenção no meio on-line em 2007
Acontecem tantos eventos e lançam milhares de novidades que é difícil destacar um em especial que tenha chamado atenção, até porque acredito muito que o tempo é o senhor da razão na Internet e até algo se consolidar, leva tempo. Então, cito um que não aconteceu: o Second Life. Houve um grande frenesi ainda neste ano, mas chegamos ao fim de 2007 com a certeza de que a segunda vida não passou da infância. Nos EUA tem muita empresa saindo e aqui no Brasil ouvi de um executivo da IBM que os resultados não foram bons. Penso que entrar no Second Life serviu muito para dizer que a empresa era inovadora e para fazer branding. Para o usuário, falo com um: não vejo a mínima graça.

Uma personalidade do meio online em 2007
Mark Zuckerberg, o fundador do Facebook. Este jovem de 22 anos recusou uma oferta para vender a empresa por US$ 1 bilhão de dólares para o Yahoo! ano passado e este ano vendeu para a Microsoft 1,6% do Facebook por 240 milhões de dólares, dando um valor de mercado de US$ 15 bilhões de dólares. Torço, sinceramente, para que isso não se transforme em uma nova bolha.

Um site em 2007
G1. Estão fazendo um jornalismo muito bacana na Internet, utilizando plataformas múltiplas e sempre à frente em todos os quesitos no Brasil.

Possíveis tendências no meio online para 2008
Comecem a pensar em todos os meios. Acredito que este ano vamos falar mais seriamente, e agir, vendo o celular como mídia do presente. Fala-se muito já, mas há pouca ação e noção do retorno que ele pode trazer.

O que pode/deveria melhorar no meio online em 2008?
Os profissionais devem melhorar muito, principalmente os novos. É incrível como "o pessoal dá antiga" já aderiu ao meio, sabem trabalhar nele, e os jovens simplesmente o ignoram. As empresas também precisam abrir o olho para a mídia online e para o comportamento do consumidor em blogs e redes sociais, pois é neste meio que elas vão encontrar seus atuais e futuros clientes.

Elisabete Barbosa
Jornalista portuguesa, diretora de comunicação e projetos na agência LK Comunicação

Divulgação: Elisabete Barbosa.

Eventos, recursos, serviços e/ou acontecimentos que mais chamaram a atenção no meio online em 2007
Em Portugal, o grande destaque vai para o jornal Público. Fez alterações em termos de imagem, deu mais importância ao vídeo, integrou várias ferramentas Web 2.0 e tem vindo a utilizar conteúdos dos seus leitores. Um exemplo é a revista Pública do fim de ano, que será integralmente feita pelos leitores.

Gostaria também de salientar a criação da Rede TubarãoEsquilo, criada no início do ano. Trata-se de uma rede editorial que reúne vários blogs e que se apresenta como um marketplace de conteúdos. A nível internacional, o aparecimento do Kindle, o leitor de livros digital da Amazon.

Uma personalidade do meio online em 2007
Gostaria de destacar duas personagens portuguesas: o empresário Horta e Costa, que anunciou no final de 2007 a criação de uma rede social para empresários portugueses (que se acederá apenas por convite), e António Granado, que assumiu a direção do Publico, jornal português que melhor tem aproveitado as potencialidades na Internet.

Um site em 2007
O Facebook, pelo melhor e pelo pior. De destacar o fato de ter evoluído em número de usuários e de ter alargado a sua influência. Também pela forma como lidou com a questão do Beacon, o sistema de publicidade que partilhava demasiadas informações dos seus utilizadores.

Possíveis tendências no meio online para 2008
A tendência é evoluir, agora mais lentamente. Teremos sobretudo novas ferramentas Web 2.0, mais profissionais e o usuário será ainda mais rei. Julgo que vamos ter novas plataformas, que integrarão ainda mais utilidades, sempre centradas nos conteúdos gerados pelos internautas.

O que pode/deveria melhorar no meio online em 2008?
Gostaria sobretudo que as empresas da área da comunicação levassem mais a sério as potencialidades da Web 2.0. Ainda são poucas as empresas, e respectivos clientes, que apostam em estratégias de comunicação que englobem mais do que um simples website. Nem mesmo os weblogs, como ferramentas de comunicação, são vistos como possíveis espaços de comunicação pelas empresas.

Marcelo Sander
Webjornalista e webwriter

Divulgação: Marcelo Sander.

Eventos, recursos, serviços e/ou acontecimentos que mais chamaram a atenção no meio online em 2007
Acho que 2007 foi uma contagem regressiva para o que virá em 2008 e 2009. Um ano-ponte para a tecnologia 3G nos celulares e a TV Digital, ambos surgidos no Brasil mais para o fim do ano. Foi o ano também do acirramento de uma – até então – "guerra fria" entre a mídia tradicional e a blogosfera. Como exemplos, posso citar a campanha anti-blogs do Estadão, o não-credenciamento de blogs em coberturas jornalísticas e a decisão do Pan 2007 de não credenciar veículos online.

O dólar e os juros baixos propiciaram uma explosão da venda de desktops para as camadas mais pobres e a aquisição de notebooks para quem até então só tinha um ou dois PCs em casa, o que fez com que ambas conexões à Internet (discada e banda larga) continuassem crescendo. Tanto que as empresas online passaram, em 2007, a focar também nos consumidores das classes C e D.

A enormidade de novas resoluções das telas dos laptops e desktops com telas planas foi (e continuará sendo por um tempo) uma dor de cabeça a mais para os profissionais de design e usabilidade.

O OLPC começou a ser uma realidade, mas ainda longe da promessa. Não por questões tecnológicas, mas políticas, sobretudo na falta de treinamento dos professores para lidar com os computadores. No mais, o excessivamente festejado Second Life não vingou. Assim como – acredito – acontecerá o mesmo com o Twitter. 2007 foi o ano em que o marketing viral tomou novas proporções. Para as agências, não basta mais oferecer o mix padrão de mídias (rádio, TV e jornal), nem tampouco oferecer só um banner como opção para mídia na Web. Jogos que começam na Web e continuam offline e vice e versa, misturando o real com o virtual, deram aos consumidores uma nova forma de se relacionar com as empresas. Um dos cases do ano (da empresa fictícia Arkhos Biotech) foi parar no Senado brasileiro! O que levantou a polêmica no meio publicitário sobre até que ponto as empresas devem misturar o real com o fictício.

Uma personalidade do meio online em 2007
Gostaria de escolher a jornalista Cristina Dissat, do blog Fim de Jogo. Apesar de não me interessar muito por futebol, não torcer para time carioca, não morar no Rio e ter entrado pouco no blog dela. Acho seu trabalho sensacional. E mais: a vibração com que ela comemora cada conquista (furos, credenciais, contratações, trabalhos realizados) me passa a imagem de uma pessoa que, primeiro, ama o que faz. Segundo, faz com profissionalismo. Terceiro, se fez respeitar no meio e hoje tem o mesmo tratamento que qualquer veículo da grande imprensa na realização do seu trabalho. E ela nem fica por conta só do Fim de Jogo, hein!

Um site em 2007
Essa é a mais difícil de responder. Na verdade, acho que não teve UM grande site em 2007. A Internet é feita por muitas pessoas. Os que mais consultei foram os de conteúdo colaborativo mesmo. Yahoo! Respostas, Wikipedia, Google Maps, Mininova, YouTube, fóruns e listas de discussão sobre tudo que me interessou durante o ano. Fosse o desdobramento de uma notícia, um capítulo de um seriado ou filme, algo que não vi na TV, mas que pude ver depois online, dúvidas às minhas curiosidades momentâneas e por aí foi.

Possíveis tendências no meio online para 2008
Esse ano será de muita expectativa, tanto em relação à tecnologia 3G nos celulares como da TV Digital. Vai ser o ano dos experimentalismos, dos estudos de caso internacionais (em países que já contam com essas tecnologias há mais tempo), tentativas de implantar o que já deu certo lá fora e ir temperando aos poucos com a cultura brasileira. Alguns projetos isolados devem implantar Internet em banda larga pública e gratuita em algumas cidades, o que poderá fazer surgir novos serviços e novas formas de lidar com a Internet. Uma relação ainda mais mobile e interativa (seja via TV, rádios, MP-"Tudo" players, PCs ou celulares).

O que pode/deveria melhorar no meio online em 2008?
Essa questão do acesso público gratuito à banda larga seria, na minha opinião, um salto no estilo "dez anos em um". Acho que os puritanos deveriam passar a olhar a blogosfera com menos distanciamento. Na minha visão, não é pecado lucrar com blog.

Acusar de "panelinha" em nada contribui para o debate. A verdade é que tem espaço para todos. Tem blog pra todo tipo de público e público pra todo tipo de blog. Queria a "paz mundial na blogosfera" (risos).

Penso também que, por enquanto, a TV Digital me faz lembrar de uma única palavra: cautela! E ela vale desde a compra do aparelho até do que se poderá fazer com ela (e pra ela). Tem pouca coisa definida ainda. Acho que ainda é cedo pra se falar em amadurecimento da Internet no Brasil. Sempre tem (e cada vez mais tem) gente nova no pedaço. Mês passado, por exemplo, minha avó, de 80 anos, ganhou dos filhos um computador com banda larga. Está doidinha, doidinha! (risos). Semana passada, a família toda começou a receber dela aqueles PPTs animadinhos com mensagens bonitinhas e musiquinhas. Coisas que a gente fazia (eu não) no final dos anos 90.

Nino Carvalho
E-creative director do British Council para a América Latina e Caribe

Divulgação: Nino Carvalho.

Eventos, recursos, serviços e/ou acontecimentos que mais chamaram a atenção no meio online em 2007
Finalmente o Rio de Janeiro teve seu primeiro curso de pós graduação em Marketing Digital. O mercado carioca, apesar de esbanjar criatividade, ainda está carente de empresas de consultorias de qualidade. Além disso, gostei de ver como o Brasil cresceu em termos de Internet. Os números de total de usuários, penetração, banda larga, ecommerce, Internet móvel, investimento em publicidade online etc., tudo aumentou de forma muito animadora. Por fim, a guerrinha de gato e rato do Steve Jobs e o pessoal que desbloqueia o iPhone. Não acho que se pode vencer esse tipo de batalha, mas ele tem se demonstrado muito criativo pra manter o diferencial competitivo do seu aparelho móvel.

Uma personalidade do meio online em 2007
Jeff Bezos, idealizador e CEO da Amazon. O maior site de compra do mundo não para de inovar e mostrar o quanto vale a pena as empresas pensarem em investir mais em conhecer melhor seus clientes visando relacionamentos mutuamente benéficos em longo prazo. Além de mostrar cada vez mais a inteligência de seu site, Bezos ainda lançou o Kindle, que vai dar muito o que falar no ano que vem! Além desse, vale mencionar uma que tá mais famosa que qualquer jogador de futebol: Dona Sônia!

Um site em 2007
Eu acho que existem dois sites que deveriam ser parada obrigatória para os profissionais de comunicação e marketing na Internet: Cool Hunting e Trend Watching. Esses caras atuam quase como filtros, vasculhando tendências e coisas cool tanto do ambiente on, quanto do offline. Não acessar regularmente os sites significa assinar um atestado de uma morte lenta e dolorosa no mercado virtual.

Possíveis tendências no meio online para 2008
Eu vou apostar muitas fichas em conteúdo participativo móvel e em multimídia (tanto pra Web, quanto pra mobile).

O que pode/deveria melhorar no meio online em 2008?
Sinto falta de poder utilizar o email como ferramenta potente de comunicação e relacionamento como fazíamos até 00-02. Também tenho saudade de quando tínhamos poucos profissionais e empresas oportunistas no mercado, de maneira que os clientes respeitavam mais as boas campanhas e os resultados eram melhores e mais limpos. Acho que os profissionais de e-comunicação têm como missão tentar zelar pelo respeito ao internauta, transparência e ética, de maneira que o trabalho sério continue sendo valorizado e ganhando mais e mais qualidade, expurgando falsos profetas e contribuindo, assim, para fomentar um ambiente mais livre, de qualidade, participativo e (muito) menos intrusivo.

Tiago Dória
Jornalista, blogueiro e consultor de projetos Web

Divulgação: Tiago Dória.

Eventos, recursos, serviços e/ou acontecimentos que mais chamaram a atenção no meio online em 2007
Na parte de eventos, destacaria a realização da NewTeeVee Live, uma conferência que discutiu a convergência entre TV e Web. Reuniu representantes da "velha TV" e profissionais das novas mídias. Mostrou o quanto a IPTV e os videocasts estão avançados em relação a tal da TV Digital.

Na área de acontecimentos, o novo reposicionamento do The New York Times e da CBS na Internet. Os dois demonstraram os novos rumos que uma empresa de mídia deve tomar caso deseje sobreviver em tempos de Internet cada vez mais onipresente. E destacaria o "bloqueio" ao YouTube no começo do ano, que acabou evidenciando uma certa falta de tato do Judiciário brasileiro para lidar com a Internet.

Uma personalidade do meio online em 2007
Quincy Smith, diretor da CBS Interactive. É o profissional responsável pela maior guinada de um conglomerado de mídia rumo à Internet em 2007, no caso, a tradicional CBS, que adotou o posicionamento de ir onde o usuário está. Para isso, descentralizou a distribuição de seu conteúdo na Rede e fechou parcerias com diversos sites de vídeos. Vem se focando no que sabe fazer melhor – produzir conteúdo – e deixando a distribuição de seu conteúdo para parceiros e os próprios usuários. Devido ao fato de ter sido investidor de capital de risco no Vale do Silício e ter trabalhado no início da Netscape, Smith é um profissional pragmático. Não cai no romantismo da Web 2.0, mas também não tem o freio de mão puxado.Vale pelo seu esforço profissional. É muito mais difícil ser inovador em um estrutura já viciada e tradicional do que em uma já aberta a inovação [Google, por exemplo].

Um site em 2007
Além dos óbvios Twitter e Facebook, destacaria o Get Satisfaction, um serviço que coloca em contato empresa e usuários para trocarem sugestões, idéias e resolver reclamações. É uma espécie de CRM que agrega diversas empresas. O interessante é que funcionários das empresas participam do site e respondem às dúvidas e críticas. Microsoft, Facebook e Google são algumas das empresas que estão lá.

Possíveis tendências no meio online para 2008
Mais jornais abrindo o acesso gratuito a todo o seu site. Videocasts começam a ganhar mais espaço. Empresas de mídia e operadoras investindo no video on demand e em High Definition. E mais aplicações envolvendo GPS e mobile.

O que pode/deveria melhorar no meio online em 2008?
Em 2008, gostaria de ver uma padronização nas métricas para medir a audiência online. E, mais especificamente no jornalismo online brasileiro, uma diminuição do turnover nas redações online, que considero alto e não é um bom sinal.

E ainda: mais cultura sobre Web nas redações online. Não é uma questão técnica de saber HTML ou como colocar um link em um texto. É ter cultura do meio. Ainda é comum encontrar gente no meio de jornalismo online que não sabe o que é um Google News, um Digg ou um OhMyNews. É como uma pessoa trabalhar com televisão e não saber nada de Ernesto Varela, Vila Sésamo ou Repórter Esso. É saber a breve história e a cultura do meio.

Mario CavalcantiEspecial 2007 de fim de ano