Mario Cavalcanti
por — 03/07/2002 em Notícias

Internet e Terceiro Setor – Introdução

Por Geiza Rocha. A jornalista inicia aqui a série especial e exclusiva para o JW sobre o aproveitamento do meio online pelas ONGs

Série Especial
Introdução: a convergência das redes

Por Geiza Rocha (*)

Os recentes discussões sobre a relação entre pobreza e violência levantaram um questionamento por parte da mídia acerca da serventia dos projetos sociais: estariam eles colaborando realmente para a diminuição da violência? Seria simples se ao menos pudéssemos responder esta pergunta. Mas quando mergulhamos neste mundo chamado Terceiro Setor, formado pelas Organizações Não Governamentais (ONGs) sem fins lucrativos que desenvolvem projetos nas áreas de meio ambiente, direitos humanos, saúde, dentre outras, vemos que o assunto é bem mais complexo.

Para começar, sabemos muito pouco sobre as ONGs. Apesar do crescimento do número de organizações da sociedade civil (hoje temos cerca de 250 mil só no Brasil) e da sua capacidade de absorver uma mão de obra cada vez mais qualificada, ainda há preconceito por parte da mídia de abordar o assunto com profundidade.

Mas se formos buscar na Internet, encontramos informações preciosas e interessantes. É que estas organizações estão encontrando na rede uma forma de se fazer visíveis. É a rede de informação sendo tecida diariamente juntamente com a rede de projetos sociais que me despertou para este trabalho.

Com a série "Internet e Terceiro Setor" vamos virar o foco para os sites que costumam cobrir projetos sociais e fazer a seguinte pergunta: nós jornalistas temos o olhar preparado para distinguir projetos que trazem algum efeito para a comunidade em que são desenvolvidos dos que nasceram falidos ou não estamos acostumados a pensar sobre isso?

Desde a Eco-92, realizada no Rio de Janeiro há dez anos, houve uma proliferação de Organizações Não Governamentais, projetos sociais e manifestações da sociedade civil organizada. Na Internet, meio democrático, elas ganharam força e divulgam seus projetos e objetivos institucionais, buscando sempre patrocinadores e novos investimentos. 

Para nós, que estamos sempre buscando pautas, estes sites podem acabar se transformando numa fonte interessante. Escolhi me debruçar sobre quatro exemplos de iniciativas. A primeira é o site Rede de Informações sobre o Terceiro Setor (Rits). Referência para quem trabalha no Terceiro Setor, o site oferece informações sobre a área e divulga projetos de diversas ONGs do Brasil, além de pesquisas interessantes. O Viva Favela, projeto da ONG Viva Rio, muito ativa no Rio de Janeiro, busca na rede que formou de correspondentes nos morros da cidade contar histórias ricas, utilizando jornalistas para dar o formato final das matérias.

Em outra entrevista, vamos conhecer a iniciativa de uma professora da Pontifícia Universidade do Rio de Janeiro, o e-comunidade, que busca transformar líderes comunitários em repórteres de sua realidade. Sem muita divulgação ou verba, este último projeto vai se delineando aos poucos e tomando forma na medida em que a propaganda boca a boca vai crescendo. Por último entrevistei a jornalista Cecília Beltrão, do site Academia Social sobre a mídia, terceiro setor e as fontes de informação.

Nosso objetivo é levantar a questão, mas não esgotá-la. Pode ser que à medida em que estas entrevistas forem sendo publicadas, mais material interessante me chegue às mãos. Por isso inauguro agora uma série aberta, como devem ser nossas cabeças!

Parte 1 – Entrevista com Graciela Baroni Selaimen
Parte 2 – Contrastes e responsabilidade social do jornalista
Parte 3 – Entrevista com Lucia Thereza Carregal
Parte 4 e última – A Informação na Rede e o marketing social

*Geiza Rocha é jornalista e redatora Web.

Mario CavalcantiInternet e Terceiro Setor – Introdução