Mario Cavalcanti
por — 23/05/2002 em Notícias

Próximos capítulos do telejornal online

Por Raphael Perret Leal. Seminário sobre telejornalismo online confirma proximidade entre tcnologia e mídia

Por Raphael Perret Leal (*)

O II Seminário sobre Telejornalismo Online, ocorrido no dia 14 de maio, no Rio, não deixou dúvidas: a tecnologia está cada vez mais próxima da mídia, e o jornalista que permanecer alheio a essa discussão, mesmo que não lide diretamente com a internet ou com TV, está perdendo.

O evento foi realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e contou com a presença, pela manhã, de John Pavlik, professor norte-americano da Universidade de Columbia; Gabriel Priolli, diretor do programa Vitrine, da TV Cultura; e Marcelo Tas, apresentador do Vitrine. À tarde, falaram Sebastião Squirra, professor da Universidade Metodista de São Paulo; Nilson Lage, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Leonardo Moura, editor dos sites do GNT; e André Tácito, especialista da Apple em programas para edição não-linear. O moderador foi o professor Antonio Brasil, da Uerj.

A palestra inicial foi do professor Pavlik, que expôs sua pesquisa em Columbia sobre o documentário in loco, em que o espectador escolhe a história que quer conhecer e passeia pelo ambiente em que ela se deu, através de um equipamento de tecnologia avançada.

Gabriel Priolli estimulou a produção experimental na internet, o que pode abrir um mercado para telejornalistas free-lancers. Marcelo Tas frisou que o Vitrine, a partir de uma informação feita por um weblog, o Catarro Verde, denunciou o plágio, feito por Antonio Carlos Magalhães, quando este renunciou ao cargo de senador, de um discurso de Afonso Arinos.

Sebastião Squirra perguntou quais as vantagens de jogar a imagem excelente da televisão para a deficiente no computador. E pregou: "não passará de modismo". Nilson Lage mostrou um projeto da UFSC para instituir uma TV de baixo custo e avaliou a crise por que passa a televisão: faltou adequação dos projetos à realidade sócio-econômica do Brasil. 

Leonardo Moura, lacônico, disse uma frase polêmica: "a internet será a mãe de todas as mídias". André Tácito prometeu mostrar alguns programas de edição de imagens produzidos pela Apple, mas o que se viu foi uma longa propaganda de computadores Macintosh.

Eis um razoável sumário do debate:

– Disputar com o Jornal Nacional é uma atitude suicida. O mais salutar é tentar exibir o que não é exibido em lugar algum, o que permite uma abertura maior do mercado, facilitando os telejornalistas autônomos e o jornalismo comunitário.

– Ainda não há um padrão universal de comunicação. A TV digital vem aí e a própria internet ainda pode surpreender.

– Não adiantam linguagem perfeita e conteúdo interessante sem tecnologia ineficiente. Poucos no Brasil têm banda larga. É preciso avançar tecnicamente. 

– Os discursos de Sebastião Squirra e Nilson Lage e a pesquisa de John Pavlik mostram que a universidade está totalmente antenada com o relacionamento entre os veículos de comunicação e a internet, bem como entre a grande rede e a sociedade. 

– A discussão é mais ampla do que sugere o tema do seminário. Afinal, grande parte dos problemas discutidos afeta o jornalismo em si: mercado, linguagem, ferramentas, comportamento dos jornalistas.

No fim, tem-se a impressão de que pouco foi respondido, e que sobraram muitas dúvidas. Que bom, então! Dos debates não saem respostas, mas sim questões, idéias, reflexões que podem, sim, levar a soluções práticas. Impossível relatar tudo o que foi dito e ouvido no seminário, mas quem dói voltou para casa com muito o que pensar, e também sobre outros temas não citados aqui. Caminhos foram indicados, portas foram abertas. Agora é pensar e praticar.

*Raphael Perret Leal é jornalista e cientista da computação.

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