Por Bia Mansur (*)
Ler muito, inclusive em inglês. Escrever bastante. Pesquisar. Operar planilhas e editores de texto. Saber usar programas de email. Participar de fóruns e listas de discussão... É preciso mais, muito mais. O novo profissional de comunicação online precisa saber como filtrar conteúdo e colocá-lo na rede. Além de agente, ele também é captador de informação na internet. E não é pouca coisa. Dados da empresa americana de pesquisa Nemertes Research alertam para o congestionamento da banda larga, em 2010, devido ao excesso de informação disponibilizada na Web.
De acordo com José Antônio Meira da Rocha, jornalista e professor de jornalismo online, um dos maiores desafios é saber filtrar a informação.
- Na era digital, o bom profissional de comunicação precisa separar joio do trigo, tanto na apuração quanto nas novas ferramentas que aparecem todos os dias - disse.
Para Bruno Rodrigues, autor de 'Webwriting - Redação & Informação para a Web', consultor em informação e comunicação digital, o profissional de comunicação precisa ter curiosidade por todas as mídias, tanto tradicionais quanto digitais, e uma grande vocação para lidar com a informação.
- Jornalista que não está imerso na evolução não tem futuro. Isso porque ele deve pensar o conteúdo como algo único, mas multifacetado. Sua missão é adaptar a informação às diferentes plataformas onde será veiculada - explicou.
Ninguém é pau para toda obra. A idéia de circular facilmente em todos os ambientes de seu mercado de trabalho é falsa. Hoje, mais do que nunca, o profissional especializado está sendo valorizado.
- O generalista me incomoda. É sempre aquele que diz que sabe de tudo um pouco, mas não sabe nada profundamente. Na mídia digital, o mercado está de olho cada vez mais no especialista - defende Bruno.
Tecnologia é forma, e não conteúdo
No jornalismo online, tanto se discute sobre convergência de mídias, mas o fato é que os três pilares do jornalismo tradicional ainda são aqueles que valem. Muitas vezes, objetividade, precisão e coesão acabam prejudicados pela ânsia de atualizar páginas e dar o furo da reportagem antes dos concorrentes.
- A questão é que quanto mais elementos se quer usar, mais tempo demora a produção do material jornalístico. Fazer texto e colar foto é rapidinho. Colocar áudio ou vídeo já demora bem mais. Fazer animações, então, pode levar vários dias e requer habilidades específicas - afirmou Meira da Rocha.
E aqui também podemos incluir as áreas de mobile, marketing digital e agências de publicidade. É preciso ficar atento nas necessidades do cliente. Ele precisa disso? Você precisa disso? Restrinja as possibilidades e trabalhe em cima delas.
- Alguém já teve coragem de fazer o caminho oposto, encarar os grandes da tecnologia e reclamar "ô amigo, o meu cliente, o meu leitor, precisa é disso, não dessas miudezas, vamos parar de enrolar?" - diverte-se Bruno.
O certo é que, mesmo na era digital, o bom jornalista continua bom jornalista, só trabalhando mais rápido.
(*) Bia Mansur é jornalista, designer e produtora de vídeo da Globo.com.
Em tempo...
O jornalista José Antonio Meira Rocha, professor de jornalismo online em Porto Alegre (RS), listou as habilidades inerentes ao novo profissional de comunicação.
1. Ler muito, inclusive em inglês.
2. Escrever bastante.
3. Pesquisar na internet e relacionar as informações encontradas.
4. Operar planilhas e editores de texto.
5. Operar programas de email e messengers.
6. Participar de diversos fóruns e listas de discussão.
7. Fotografar, manipular as fotos em programas específicos, distribuir as fotos em fotologs.
8. Fazer e editar vídeos em celular ou câmeras domésticas, publicar e embutir estes vídeos em páginas Web.
9. Gravar entrevistas com seu MP3 player ou celular.
10. Editar áudio digital e fazer podcast.
11. Contratar e instalar serviços em hospedagem internet (CMS, blogs, sistemas de workgroup, fóruns, galerias de fotos).
12. Gerenciar um sistema gerenciador de conteúdo (CMS), blog, fórum.
13. Conhecer HTML o suficiente para fazer links ou modificar templates e skins.
14. Usar sistemas de anúncios tipo AdSense.
15. Assinar e gerenciar uma enorme lista de feeds RSS sobre sua especialidade.
16. Trocar arquivos em sistemas peer-to-peer ou de troca de grandes arquivos.
17. Fazer mashups, mapas e modelos 3D com Google Maps, Google Earth e Google SketchUp.
18. Gerenciar, com diplomacia, comunidades de leitores.
19. Resolver pepinos e abacaxis em seu computador.
20. Estar sempre antenado com as tendências das mídias digitais.
Bibliografia básica
1. LANDOW, George P. Hipertexto: la convergencia de la teoría crítica contemporanea y la tecnología. 1. ed. Barcelona: Paidós, 1995. 284 p. (Hipermedia, 2).
2. MARTIN, James. Hiperdocumentos e como criá-los. 1. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1992. 222 p., il.
3. FACULDADE DE COMUNICAÇÃO. UNIVERSIDADE DA BAHIA. Cyberpesquisa. Disponível em: <http://www.facom.ufba.br/pesq/cyber/>. Acesso em 26 ago. 1999.
4. MACHADO, Elias. A intranet como modelo de gestão no jornalismo digital. Site Web em: <http://www.eca.usp.br/prof/josemarques/arquivos/monografia4_d.htm>. Acesso em 21 dez. 2004.
Biblografia Complementar
1. HACKOS, Joann T.. Standards for online communication: Publishing Information For The Internet, World Wide Web, Help Systems, Corporate Intranets. 1. ed. New York: John Wiley & Sons, 1997. 380 p., il. 1 CD-ROM.
2. HORTON, William. Designing and writing online documentation: hypermedia for self-supporting products. 2. ed. New York : John Wiley & Sons, 1994. 439 p., il.
3. LEVINSON, Jay Conrad. Marketing de guerrilha com armas online. 1. ed. Rio de Janeiro: Record, 1998. 234 p.
4. MARTIN, James. Hiperdocumentos e como criá-los. 1. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1992. 222 p., il.
5. RICH, Carole. Newswriting for the Web. A study for The Poynter Institute of Media Studies. Disponível em: <http://members.aol.com/crich13/poynterstudy.html>. Acesso em 10 ago. 2000.
6. Online Journalism Review. Disponível em: <http://www.ojr.com>.
Bibliografia brasileira em Jornalismo Online
Livros e artigos sobre Jornalismo Online, internet, arquitetura de informação, documentação, computadores.
1. FERRARI, Pollyana. - Jornalismo Digital. São Paulo : Editora Contexto, 2003. 120 p. ISBN: 85-7244-242-1. Venda em <http://www.submarino.com.br/books_productdetails.asp?Query=ProductPage&ProdTypeId=1&ProdId=205041&ST=SE>. Informações em <http://www.polipress.com.br/livro/sumario.htm>. Acessos em 25 jul. 2003.
2. FERRARI, Pollyana. Hipertexto, hipermídia. Contexto : 2007. 192 p. ISBN 978-85-7244-362-3.
3. MACHADO, Elias. - O Ciberespaço como Fonte para os Jornalistas. Salvador : Calandra, 2003.http://www.editoracalandra.com.br/Compras.htm
4. MACHADO, Elias. - O Jornalismo Digital em Bases de Dados. Entre os temas abordados estão a Base de Dados como formato, a intranet como modelo de gestão, a narrativa em Base de Dados e a importância da pesquisa para a formação de jornalistas. Além disso, discute experiências pioneiras de ensino do jornalismo digital a partir dos projetos implantados, desde 1995, na Facom/UFBA.
5. MACHADO, Elias; PALÁCIOS, Marcos. - Modelos de Jornalismo Digital. Salvador : Calandra, 2004. Coletânea de artigos do Grupo de Pesquisas em Jornalismo On-line da Faculdade de Comunicação da UFBA. Compilação de Elias Machado e Marcos Palacios.
6. MANNARINO, Marcus - O papel do webjornal: veículo de comunicação e sistema de informação. Porto Alegre : EDIPUCRS, 2000. 98p. (Coleção Comunicação, 5). Informações: <http://www.marcus-mannarino.jor.br/livro/index.html%3E.Venda e distribuição: <http://www.marcus-mannarino.jor.br/livro/distribuicao.html>. Acessos em 28 jul. 2003.
7. MOHERDAUI, Luciana - Guia de estilo Web: Produção e edição de notícias on-line. 2.ed. São Paulo : Senac, 2002. 80 p. ISBN 8573591552.
8. MONTEIRO, Mariana; SIMONE, José Fernando - Jornalismo Online: O futuro da informação. Rio de Janeiro : Webmeio, 2001. ISBN 8585610212. Edição independente de sucesso: a primeira edição está esgotada. Os autores andam à procura de editora para lançar a segunda edição.
9. MOURA, Leonardo - Como escrever na Rede. São Paulo : Record, 2001.
10. PEREIRA, Luciano; SILVA, Rafael R.; MARANGONI, Reinaldo. - Webjornalismo: Uma reportagem sobre a prática do Jornalismo Online. São Paulo: Webjornalismo, s/d.
11. PINHO, J. B. Jornalismo na Internet: planejamento e produção da informação on-line. São Paulo : Summus Editorial, 2003.
12. RODRIGUES, Bruno - Webwriting - Redação & Informação para a Web. Rio de Janeiro: Brasport, 2006. ISBN 8572515526.
13. SQUIRRA, Sebastião - Jorn@lismo online. São Paulo : CJE/ECA/USP, 1997.
14. VIANA, Eduardo de Carvalho. - Para um Manual de Redação do Jornalismo On-line. Monografia final apresentada à Faculdade de Comunicação Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, para conclusão do Curso de Pós-Graduação em Jornalismo Cultural. UERJ : Rio de Janeiro, 2001. Orientador: Profª. Sonia Virgínia Moreira. Arquivo em formato MS Word disponível em: <http://www.rio.rj.gov.br/secs/cadernos.htm>. Cadernos de Comunicação de Secretaria Especial de Comunicação Social do Rio de Janeiro.
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| Postado por edumarvao em 02/10/2008 - 12:28:57: Caros amigos (desculpem o trocadilho) Ser jornalista hoje em dia me parece um pouco tobogam de ser, minha irmã iniciou a faculdade, trancou pra formar médica e deve reiniciar por esses tempos. Além de um criador de textos, disseminador de notícias, facilitador de idéias, agora tem que ser quase um webdesigner!?!?!? Isso vai assustar muita gente de novo, porque algum tempo atrás quem não tinha a p... do curso de datilografia, tava perdido, o meu foi numa Ollivet elétrica, depois veio o computador, com aqueles softwarez horríveis, logo depois veio Gates nos salvar com o JANELAS (windows - odeio estrangeirismos), mas a internet, como apenas um meio de comunicação militar, logo se disseminou pras universidades e agora ao meio público, Deus do Céu! Com os celulares PC“s que estão vindo, com a banda larga mais pública que nunca, jornal e revista viraram vinil, telejornalismo está ainda como CD, meio DVD, e o webjornalismo está para os cartões SD/ miniSD. É que viníl usam de teimosia, assim como o jornal de papel e revistas, o CD/ DVD já é mais prático e todos já sabem mexer, é o telejornalismo, ficou mais fácil, só que atualmente tudo se faz por celular, e DVD não entra em celular, os walkmans e diskmans deram lugar ao MP3, que deu lugar ao MP4, e agora até MP7 já tem (!?!!?) Assim , webjornalismo está para ficar, tendo um quê de Caco Barcelos, com sua interatividade com os telespectadores e as notícias que querem ver, pois o Globoreporter, SBTReporter... já estão ultrapassados, são notícias que acham que se quer ver e não necessariamente isto o seja. Algo que no hiperespaço com a conectividade mais próxima ao usuário e a passividade da vinculação da notícia ao desejo de quem quer ver a notícia, deixou a tela do computador mais interessante que a tela da televisão. Estou acabando uma resenha da querida Suzana Barbosa e sua discussão da base de dados e o jornalismo da III geração. Gostaria de assustar a todos, mas realmente os meios fazem os fins, como !?!? A internet mudou o jornalismo, e os celulares tão acelerando essa mudança. Vejam a loucura do novo aparelho da nokia - NOKIA MORPH, coisa de louco, tudo num único aparelho, joguem fora a máquina fotográfica, filmadora, Beep, celular, carregador para celular, computador pessoal e note book, e até o próprio relógio, sim o próprio relógio. O youtube tem um vídeo interessante do monstro-nokia que vai chegar nas lojas e desbancar o IPHONE, que já é velharia na minha opnião e que aqui no Brasil-colônica é febre. Caros amigos, boa sorte, pois assim como na idade média com a vinda do capitalismo substituindo o feudalismo, da pressa substituindo a escrita para livros, profissões foram dizimas e outras fecundas nasceram, estamos vendo uma transição que iniciou com o fim da guerra fria e acelerou com o final do século XX. Haverão novos seres humanos (não mais homens - CC), novos fazeres, novas idéias (maldito Adão que nos fez perder a imortalidade...) | ||
| Postado por antoniomarcos em 27/02/2008 - 17:53:26: Iço aki é um pokinho de Brasil Para ser um jornalista da web, não basta ter conhecimento tecnológico ou formação jornalística se assim fosse teríamos um jornalismo on line atraente e dinâmico, alem de conciso e exato. O despreparo do jornalista on line hoje é tamanho que vemos diariamente disparidades entre um site e outro, lendas urbanas encaradas como pura realidade, blogs, e fotologs de gosto e razões para lá de duvidosas, mas com certeza muitos tem uma tecnologia embarcada que nos enche os olhos com frames, fundos, animações e fotos maravilhosas, mas e o conteúdo? E a informação, que deve ser o principal na comunicação? Parafernália tecnológica é lindo como embalagem, mas já nos decepcionamos muitas vezes com maravilhosas embalagens, cujo produto era decepcionante, mas por outra o produto supera em muito o frasco ou pacote. A velocidade dos tempos modernos, é de importância fundamental para quem quer se manter avante dos concorrentes, mas que adianta dar uma Ferrari nas mãos de um motorista de caminhão ou um caminhão nas mãos de um piloto de Formula 1, os propósitos são diferentes dos meios. Só que hoje nessa luta insana pelo furo, o ineditismo e exclusividade, de banda larga e muitos megas disponíveis se confunde veloz com atroz, e o profissional ou veiculo se perde na vontade de ser o primeiro ou o único a publicar. Dados incorretos, fontes erradas ou mal informadas, inexperiência do jornalista. Tudo é somado, multiplicado e dividido no caldeirão efervescente da rede mundial de computadores, afinal essa febre de informação em tempo real é um barato, uma coisa absurdamente legal ou como diria meu avô _Supimpa mesmo! Só que o que rola por ai pode ser melhorado filtrado e condensado de forma tal que o que chega o leitor, tenha uma qualidade e nível compreensível, tanto para o leitor médio como o executivo, o adolescente ou a dona de casa. Resumindo jornalismo web tem que ter qualidade, tecnologia, velocidade, mas acima de tudo, tem que ter linguagem e objetividade para ser compreendida por todos que quem acesso ao mundo informatizado, principalmente num país com alto índice de analfabetismo funcional como o nosso. Afinal aqui si excrevi axim n´? Antonio Marcos Dacosta Exercício 27 27/2/2008 | ||
| Postado por rasfabio em 25/02/2008 - 06:55:05: Boa! Bom para ler e guardar ... Abs! | ||