O Primeiro General

Ablon, o Anjo Renegado, era conhecido pelo título de "Primeiro General", antes de ser expurgado. A alcunha foi adquirida após a última - e a mais importante - campanha das Guerras Etéreas, quando a sua legião, a Legião das Espadas, entrou primeiro no castelo do deus Rahab, o Príncipe dos Mares, derrotou seus guerreiros e matou a divindade.

Muitos anjos carregam alcunhas, que podem mudar tanto pelas ações que os celestiais desempenham como por suas atitudes perante a sociedade divina. O arcanjo Gabriel, por exemplo, é conhecido por dezenas de títulos, como “O Mestre do Fogo”, “O Anjo da Revelação” e “O Príncipe da Justiça”, entre outros. A maioria dos anjos menores, contudo, não são suficientemente importantes para sustentar qualquer codinome.

A batalha da Legião das Espadas contra o exército de Rahab foi provavelmente a mais espetacular das lutas travadas nas Guerras Etéreas. O castelo inimigo ficava na região de Sion, e se erguia sobre um morro único, no centro de um vale cercado por uma sinistra cordilheira circular.

Os guardiões de Rahab voavam e adejavam como vespas ao redor da fortaleza, defendendo seu ninho. O cinturão parecia impenetrável. Ablon, então, reuniu-se com seus imediatos – Hazai, Ishar e Yarion – no cimo de uma pedra da cordilheira. Observou a formação e imaginou o seu plano.

Resolver destacar toda a sua legião para um único ataque preciso, ao qual chamou de “ponta de lança”. Todos os Querubins voariam em formação, desenhando um “V”, tal qual uma ponta de lança. Esse assalto perfurante rasgaria as linhas inimigas, atrapalharia a organização dos sitiados, e então os seus soldados poderiam alcançar a vitória.

A tática deu certo e, depois de duas passadas ao redor do castelo, o próprio Ablon se destacou e penetrou no bastião inimigo. Uma vez lá dentro, rumou direto à sala do trono, onde encontrou o deus Rahab, e o desafiou para um duelo. Percebendo que suas hostes estavam perdendo, Rabah aceitou, mas impôs uma condição: se ele vencesse, os celestiais abordariam a invasão. O general alado aceitou.

Os dois subiram voando. Voaram alto, muito alto, quase deixando a atmosfera da Terra, e lá lutaram ferozmente: um poderoso anjo guerreiro contra um deus etéreo.

Quando os duelistas já estavam suficientemente feridos, Ablon manobrou sua espada, a Vingadora Sagrada, direto ao coração do adversário. E no instante em que ele puxou a lâmina, Rahab sibilou uma profecia.

“A sua vitória aqui o levará à desgraça. Sion não será sua por muito tempo, e um dia você se arrependerá de ter me vencido”.

Com isso, provavelmente o deus se referia à futura Fortaleza de Sion, que um dia seria ali construída pelo arcanjo Miguel e que simbolizaria a arrogância, a inveja e a ódio dos terríveis arcanjos.

Seja como for, o castelo de Rahab foi demolido, e o Príncipe dos Anjos levantou ali a tal Fortaleza de Sion, também chamada de Torre das Mil Janelas. Em um de seus salões, Ablon recebeu homenagens, o que enraiveceu sobremaneira o perigoso Apollyon, o Anjo Destruidor, então um general celeste, que tinha chegado ao teatro de guerra poucos minutos depois da ofensiva da Legião das Espadas.

A partir de então, a contenda entre Ablon e Apollyon se tornaria lendária.

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