A destruição de Enoque

A cidade de Enoque, a Bela Gigante, resistiu por anos à intervenção dos arcanjos. Os seus magos eram experimentados em caçar e atacar os celestes, defendendo assim a capital. Enoque existiu sobre a Terra em plena era das grandes catástrofes, época em que os anjos mais fomentaram massacres, matando e exterminando os seres humanos sem qualquer pudor.

Enoque, no centro da terra de Nod, foi a primeira pátria dos homens, a grande cidade fundada por Caim no alvorecer da civilização.

Tudo começou com uma chama. Uma chama solitária, uma chama eterna que nunca se apaga.

Depois que o pai de Caim, Adão, sucumbiu às tentações da Serpente sob a Árvore do Conhecimento, Miguel, o Príncipe dos Anjos, ordenou que seu irmão Gabriel fosse ao Mundo Físico e incendiasse a árvore. Nesse lugar, o fogo nunca feneceu, e foi ao redor dessa labareda que Caim começou a erguer Enoque, pedra por pedra.

À medida que a Bela Gigante crescia, mais pessoas comuns - aldeões de vilas próximas – eram atraída para dentro de suas muralhas, até que a cidade se transformou na maior metrópole de seu tempo, um grande centro de estudo e conhecimento, rivalizando somente com a distante e misteriosa Atlântida, a Pérola do Mar.

Os súditos de Caim veneravam seus antepassados, e principalmente os falecidos Adão e Eva, que eram os maiores dentre os Antigos. E quanto mais os enoquianos prosperavam, mas crescia o ódio dos arcanjos. Ora, há poucos anos os terrenos eram apenas animais que moravam na podridão das cavernas, como podiam estar a erguer cidades e adorar seus próprios ídolos?

Furioso, o arcanjo Miguel enviou um primeiro grupo de celestes à Terra ainda durante o reinado de Caim – Enoque teve muitos outros reis a seguir, todos pertencentes à linhagem de Adão -, com o objetivo de assassinar os que viviam na capital.

O pequeno séqüito de alados chegou à Bela Gigante no crepúsculo de um dia de outono. Todavia, nem os celestiais e nem o Príncipe dos Anjos estavam cientes das potencialidades dos seres humanos, do poder da alma terrena. Ao longo dos tempos, os grandes sábios aprenderam a canalizar essa energia e a externizá-la sob a forma de efeitos incríveis, que mais tarde seriam chamados de “magia”. No princípio, os magos eram poucos em Enoque, mas depois foram se multiplicando, e Caim aprendeu a manipular essa força em benefício da própria cidade.

Foi assim que um dos altos sacerdotes previu o assalto dos anjos, e os enoquianos se prepararam para um possível massacre. Formaram grandes barricadas e encantaram flechas, de forma às suas pontas conseguirem perfurar os celestes. E, desta forma, os primeiros alados a tentar invadir Enoque foram rechaçados.

Já na primeira invasão, um anjo foi capturado e usado como objeto de estudo pelos feiticeiros. Os magos e sábios de Enoque descobriram suas fraquezas, e aprenderam o que era preciso para lutar contra seus inimigos celestes.

Como nessa época a Bela Gigante vivia tempos de paz com Atlântida e com as outras tribos da região, Caim ordenou que todos os esforços se voltassem para a ciência dessa ameaça que vinha dos céus. Todo esse conhecimento acabou passando para os filhos de Caim, que foram reis depois dele, e Enoque nunca conseguiu ser invadida.

Os feiticeiros da capital puseram um encantamento sobre as muralhas, e seus grandes heróis se habituaram a portar armaduras e espadas mágicas.

Tudo isso, porém, só aumentava o ódio que arcanjo Miguel nutria pelos terrenos. Cada vez mais, ele queria devastar a Bela Gigante com uma única e fulminante catástrofe. Mas a cada dia o Tecido da Realidade, a membrana mística que separa o Mundo Físico do Mundo Espiritual e que limita os poderes dos anjos, se engrossava. Ao mesmo tempo, a rivalidade entre ele e o então arcanjo Lúcifer se tornava maior, ficando mais difícil para Miguel arquitetar sua hecatombe.

Mas o Príncipe dos Anjos não desistiria. Quando achou que tinha apoio suficiente dos outros arcanjos, ele arquitetou a maior de todas as calamidades: o Dilúvio.

É claro que o Dilúvio não foi pensado apenas para destruir Enoque. A idéia era exterminar toda a civilização humana na Terra. Mas devastar a Bela Gigante seria especialmente prazeroso para o terrível Miguel, que há muito queria vingar os seus anjos destroçados.

No ano de 8912 a.C., então, as águas subiram, finalmente. Vários terremotos sacudiram o planeta e Miguel, pessoalmente, fez levitar um vulcão e o soltou sobre a capital de Nod.

A Grande Inundação quase extinguiu a vida na Terra, e aniquilou as duas grandes civilizações de seu tempo – Enoque e Atlântida.

Ao passo que o povo e os escritos da Pérola do Mar foram totalmente perdidos, diversos descendentes dos enoquianos e alguns de seus conhecimentos resistiram, e é a partir de Enoque que todos os homens de hoje em dia traçam sua ascendência.

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