Babel, a Antiga

Capital da Babilônia e centro do reinado de Nimrod, Babel foi a maior das nações humanas depois do Dilúvio. Foi controlada por uma série de reis, dentre eles o terrível Cush e o lunático Nimrod.

Muitos não compreendem a verdadeira natureza da Babel legendária. Ao longo da história, houve duas cidades da Babilônia. A primeira delas foi a capital mitológica, descrita na Bíblia, com sua esplendorosa Torre de Babel, e é sobre essa cidade que trata este artigo. Muitos anos depois de sua destruição, surgiu uma outra metrópole, essa bem conhecida pelos arqueólogos modernos: a Babilônia de Hamurabi e de Nabucodonosor, muito mais recente.

A Babel legendária – chamada de “Babel, a Antiga” - era uma cidade absolutamente fantástica, porque foi a última civilização que deteve os remanescentes da finada cultura de Enoque, a fabulosa capital fundada por Caim no alvorecer da humanidade.

Os guerreiros de Babel eram então conhecidos por suas brutalidades. O exército real, na época, era o mais forte e numeroso da região, somando cerca de 500 mil homens – uma exorbitância para os padrões da remota antigüidade. Em suas batalhas usavam perigosos carros de combate (charretes de duas rodas, semelhantes às bigas romanas), e montavam enormes elefantes peludos, com presas gigantescas. Esses monstros – os mamutes – eram comuns antes do Dilúvio, e foram utilizados pelos generais da velha Enoque. Nos dias da Babilônia, eles já estavam quase todos extintos, mas os mesopotâmicos os criavam, forçando os animais a servirem na linha de guerra.

Em Babel, o rei Nimrod, o último dos soberanos, era não só o líder político, mas comandava o exército também – diretamente. Além de ser um exímio lutador, nunca perecia em combate, mesmo depois de atingido por mais de cem flechas. Seu povo acreditava que ele era invulnerável, graças a benção da deusa Ishtar.

Com sua força avassaladora, Nimrod sobrepujou a Suméria, a Acádia e a Assíria – e isso era a maior parte do “mundo”, no século XXIV a.C. Mas uma tribo de nômades do deserto, chamada Filhos de Jafé , desafiava a sua pujança. O soberano não conseguia encontrá-los, mesmo enquanto infringiam pesadas perdas aos babilônicos. Como se não bastasse, os tribais mataram o seu pai, Cush, queimaram o seu corpo e esfarelaram as ossadas, guardando apenas o crânio chamuscado, o qual enviaram de volta aos seus inimigos.

No processo, submeteram o velho monarca a um ritual de purificação , uma cerimônia sagrada que condena ao Inferno o espírito do falecido, e liberta as almas dos que pereceram em agonia sob seus comandos cimérios.

Com o assassinato de seu protetor, Nimrod mergulhou na insanidade. Enquanto aguardava pela vitória final contra os Filhos de Jafé, ele decidiu que, para ele, o mundo dos homens não seria o bastante. Seus domínios se estenderiam também à esfera celestial, à terra dos anjos, à Morada de Deus. Para isso, ele fez de seus conquistados escravos, e os usou para iniciar a construção de uma torre que, segundo ele, alcançaria o Céu.

Durante o reinado de Nimrod, os povos da Babilônia gostavam de traçar suas raízes desde antes do grande Dilúvio. Eles julgavam ser os herdeiros legítimos da linhagem de Enoque, que começou com Caim, filho de Adão, e terminou com Lémek, o último monarca de Nod, morto na inundação. Nos tempos de Enoque, os homens se consideravam puros e plenos, e tinham orgulho de sua raça. Não temiam os anjos, e chegavam a enfrentá-los com armas mágicas e feitiçaria. Veneravam os seus próprios heróis, e essa negligência para com os celestes serviu aos arcanjos como justificativa para enviar à Terra o aluvião – o mesmo cataclismo que sepultou a exuberante Atlântida. Babel seguia os mesmos ideais de seus adorados avós, mas de uma forma insana e distorcida. Talvez daí viesse a obsessão de seu rei em desafiar os alados, mesmo sem conhecê-los de fato.

No fim, Nimrod e sua maravilhosa cidade acabaram caindo por terra, como é o destino de todos os grandes impérios. Uma rebelião de escravos derrotou o exército, o e rei acabou amaldiçoado por um anjo fugitivo.

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