01/03/2013

Ibram, BN e Arquivo Nacional têm projeto para preservar, modernizar e difundir acervos

Nos últimos dois anos, a FBN digitalizou dez milhões de imagens de livros brasileiros que estão em domínio público.

Arquivo Nacional. Crédito: Wikipedia.RIO DE JANEIRO (Agência Brasil), 1º de março – Preservar e democratizar o acesso aos acervos de museus, bibliotecas e arquivos do Brasil é o que prevê o acordo de cooperação firmado entre o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), a Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e o Arquivo Nacional. As três instituições fizeram na quinta-feira (28/02) a primeira reunião de trabalho.

O presidente do Ibram, José do Nascimento Junior, explicou que o objetivo é integrar esses três grandes sistemas de acervos brasileiros, tendo as três instituições como coordenadoras. “São 105 mil instituições que estão sob o guarda-chuva dessas três grandes instituições. Pretende-se que a gente possa estabelecer ações comuns, estratégias no sentido de preservação desse patrimônio que está sob essas instituições todas, para que a gente possa potencializar tanto a preservação quanto a difusão, ou seja, pôr à disposição da população, dos pesquisadores em geral”.

A diretora do Centro de Referência e Difusão da Biblioteca Nacional, Mônica Rizzo, diz que o Projeto Biblioteca Nacional Digital, com mais de cinco anos de existência, é pioneiro no Brasil na digitalização de acervos.

“As três instituições que aqui estão abrindo os trabalhos desse acordo, cada uma trará a sua expertise na sua área de concentração. No caso a Biblioteca Nacional trará a sua contribuição como agência bibliográfica nacional, como a instituição responsável pela padronização de processos dentro da biblioteconomia no Brasil, para agregar valor a esse conjunto e para que nós possamos, daqui para frente, difundir de forma integrada todo esse conhecimento que essas instituições que aqui estão detém”.

DEZ MILHÕES DE IMAGENS DE LIVROS BRASILEIROS DIGITALIZADAS

Segundo Mônica, o que se pretende é a democratização do acervo, com uso pleno da Internet. Nos últimos dois anos, a FBN digitalizou 10 milhões de imagens de livros brasileiros que estão em domínio público. Para os próximos dez anos, a meta é pôr todo o acervo na rede para consulta pública, com prioridade para as obras raras.

O diretor-geral do Arquivo Nacional, Jaime Antunes da Silva, diz que o acordo surgiu da necessidade de aprimorar a cooperação interinstitucional que já existia. O documento foi assinado em dezembro de 2011, mas a primeira reunião só ocorreu hoje.

“Hoje é o delineamento do plano de trabalho; vai ser desenvolvido um plano plurianual de atividades, o que pode ser resolvido com orçamentos próprios vai ter prioridade e o que será necessário – a busca de patrocínio ou financiamento – fica para etapas posteriores. Se nós fizermos uma análise mais detida, nós vamos ver que a gente tem muito mais pontos de convergência do que de divergência para preservação do patrimônio. Então é importante essa ação conjunta porque ganham as instituições, ganha a cultura e ganha o cidadão, porque ele vai ter facilitado o acesso”.

De acordo com Antunes, atualmente o Arquivo Nacional está priorizando a digitalização dos acervos do período do regime militar, para atender às demandas da Comissão Nacional da Verdade.

O grupo de trabalho do acordo de cooperação entre Ibram, FBN e Arquivo Nacional tem prazo de funcionamento de dois anos, prorrogável por mais dois, mas o objetivo é construir um plano de trabalho para até 15 anos. Um dos objetivos é cumprir a meta do Plano Nacional de Cultura, de modernizar 50% das bibliotecas públicas e museus até 2020.

Por Akemi Nitahara. Edição: Fábio Massalli.

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