Luciana Moherdaui
por — 22/08/2012 em Artigos

Redes sociais precisam de editores?

A jornalista e doutora pela PUC/SP Luciana Moherdaui levanta a questão e fala sobre curadoria na Web e newsmaking.

Por (@lumoherdaui)

Qual é a diferença entre editores de jornal de papel, web e redes sociais? A julgar pelo que se observa atualmente, nenhuma. Explico: editar é controlar o fluxo informacional. É escolher e organizar conteúdo para caber nos limitados espaços das chamadas mídias clássicas – papel, tevê e rádio.

Embora profunda, com capacidade para oferecer informação do tamanho da curiosidade de qualquer leitor, as plataformas existentes na internet – WWW e aplicativos, por exemplo – operam na mesma lógica: simulam o papel, com hierarquia e diagramação em colunas.

Isso se reflete nas funções que jornalistas desempenham na rede, ainda que mascaradas com apropriações de nomenclaturas, como é o caso do curador. O termo, bem anterior ao de gatekeeper, é agora usado para escolher o que espalhar em Twitter, Facebook, Pinterest e Google+, dentre outros.

Um dos primeiros trabalhos de curadoria, conhecido também por ator-curador, foi realizado por Gustave Courbet em 1855. Ele construiu um galpão temporário para expor algumas de suas pinturas rejeitadas pela Exposition Universelle de Paris. Seguiram Coubert ÉdouardManet, Auguste Renoir, Paul Cézzane, Edgar Degas, Claude Monet e Berthe Morisot.

Porém, é a partir dos anos 1960 que a curadoria passa a ter um papel fundamental à formação, produção e disseminação de exposições. Já o curador ganha relevância 20 anos depois. Na rede, apareceu em novembro de 2008 em um texto do professor Jeff Jarvis, diretor do Tow-Knight Center for Entrepreneurial Journalism, ligado à universidade de Jornalismo de Nova York.

Jarvis redefiniu curadoria como “a necessidade de o editor organizar, corrigir e criticar o excesso de informação que circula na rede”. É correto dizer que o gatekeeper trabalha com a ideia da seleção, o profissional é uma espécie de porteiro, de guardião, e decide o que fará com uma informação.

Organizar, corrigir e criticar faz parte da prática jornalística. É verdade que a edição dos jornais tem como base o newsmaking, segue critérios de noticiabilidade e regras organizacionais, cujo resultado é um mosaico informativo, e a curadoria carrega a marca do curador e seleciona com base no crivo pessoal.

E talvez curadoria não seja comparável ao newsmaking. Quem a faz é integrante da chamada inteligência coletiva (ou distribuída), mas há fatores embutidos no compartilhamento. Ninguém publica informação sem algum interesse, desde jornais, passando por Julian Assange, até o cidadão.

Grosso modo, curador e jornalista apenas selecionam nas redes sociais, principalmente no caso do Twitter. Não há no microblog o botão editar. Publicado o post uma vez, não é possível corrigi-lo. A única solução é apagá-lo.

A rede é baseada em burburinhos, em zumbidos: não há demanda, mas um interesse em dividir algo para ser validado e recomendado.

Sobre o autor |

Doutora pela PUC em Processos de Criação nas Mídias. Jornalista, trabalha com internet desde os tempos do guaraná com rolha.

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