Mario Cavalcanti
por — 26/07/2011 em Notícias

Tablet caro trava mercado de livros digitais no Brasil

Internet lenta também foi um fator citado pela Câmara Brasileira do Livro em evento

DivulgaçãoSÃO PAULO (Agência Brasil), 26 de julho – A má qualidade da Internet em banda larga e o alto preço dos computadores portáteis em forma de prancheta (tablets) são os principais problemas que dificultam o acesso dos leitores aos livros digitais (e-books). Essa é a opinião da presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Karine Pansa, que abriu nesta terça-feira (26) o 2º Congresso Internacional do Livro Digital, promovido pela entidade, em São Paulo.

No encontro, que termina na quarta-feira, representantes do mercado editorial discutem maneiras de estimular o acesso aos livros digitais no Brasil e no mundo. Segundo Pansa, vários desafios ainda terão de ser vencidos para que a produção, distribuição e venda dos livros digitais no país cresçam. Mas antes que as editoras e os leitores abracem os livros em formato digital, as conexões de Internet precisam tornar-se mais rápidas e eficientes. “Se eu não tenho Internet adequada, não consigo fazer com que o consumidor obtenha um livro de maneira fácil e fique satisfeito”.

Sobre os tablets, ela acredita que a redução dos preços é uma questão de tempo, pois a produção desse tipo de computador só tende a crescer no Brasil. Ainda mais agora, que o governo decidiu desonerar a produção doméstica de tablets justamente para forçar a queda dos preços do produto nacional.

FORMATO DIGITAL JÁ É O PREFERIDO DE MUITOS NA EUROPA E NOS EUA

De acordo com uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), feita a pedido da CBL, foram lançados 52 mil livros convencionais e vendidos 386 mil exemplares em 2009. No mesmo ano, o número de livros lançados ou vendidos em formato digital foi tão pequeno que nem constou do levantamento.

Na Europa e nos Estados Unidos, entretanto, o formato digital já é o preferido de muitos leitores. Dominique Raccah, presidente da editora norte-americana Sourcebooks, disse que 35% das vendas da empresa em junho deste ano foram de livros digitais.

Bob Stein, diretor do Instituto para o Futuro do Livro, dos Estados Unidos, também acredita que o mercado de livros digitais no Brasil vai crescer muito e que as oportunidades já estão surgindo nesse mercado. Karine Pansa disse que as editoras estão cientes dessas oportunidades e querem aproveitar o momento para oferecer aos clientes um serviço que
muitos ainda desconhecem.

“O grande benefício do livro digital é a portabilidade. É você ter dentro de um aparelho simples e leve uma quantidade de conteúdo sem fim”, disse ela.

Por Vinicius Konchinski. Edição: Vinicius Doria.

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