Mario Cavalcanti
por — 29/12/2010 em Notícias

AFP compara WikiLeaks ao compartilhador Napster

Comparação também foi feita semanas antes em podcast do Jornalistas da Web

DivulgaçãoRIO DE JANEIRO (Da Redação), 29 de dezembro – Se 1999 foi o ano do serviço de compartilhamento de músicas Napster na história da Internet, 2010 pode ser lembrado como o ano do WikiLeaks. A comparação foi feita na noite desta terça-feira (28) em uma notícia da Agence France-Presse (AFP).

Criado em 1999 pelo desenvolvedor Shawn Fanning – mas tendo sido seu auge em 2001 -, o Napster foi o primeiro programa de grande expressão para compartilhamento de arquivos, protagonizando também o primeiro grande episódio na luta jurídica entre as redes virtuais de compartilhamento de música e a indústria fonográfica. A comparação feita pela AFP está no fato de ambos os serviços – Napster e WikiLeaks – possibilitarem que pessoas tenham acesso a informações que dificilmente elas teriam de outra forma, mudando uma cultura estabelecida e ajudando assim a ampliar o conhecimento.

Houve comparação também entre os criadores dos dois serviços. Enquanto Fanning é considerado o homem chave que mudou a indústria musical para sempre (sendo apontado em 2000 como um dos jovens mais promissores do novo século, ganhando inclusive capa da Newsweek e da Wired), o ciberativista australiano Julian Assange também fez história ao criar um repositório virtual de documentos secretos de governos e empresas. Assange também foi capa de diversas publicações.

Há duas semanas, no podcast do JW que abordou o tema WikiLeaks, o cientista político Guilherme Simões Reis teceu comentário também comparando os dois serviços. "Todos os dois têm o efeito da circulação de documentos que não deveriam circular livremente, ou porque foram feitos para serem vendidos, ou para serem mantidos em segredo. Por outro lado, os dois permitem o acesso a documentos que não seria possível ter acesso e que é interessante ter acesso. O Napster não possibilitou só a circulação de graça dos grandes hits que deveriam ser vendidos em um CD, mas também de músicas folclóricas, do interior da China, por exemplo. Ou seja, você tem acesso a algo que seria difícil conhecer de outra forma. Da mesma forma agora com os documentos do WikiLeaks. É importante para o público ter conhecimento deles", diz Guilherme.

A notícia da AFP pode ser acessada na íntegra aqui. Ouça também aqui nosso podcast sobre o WikiLeaks. JW.

Mario CavalcantiAFP compara WikiLeaks ao compartilhador Napster