Jacques Chueke
por — 27/11/2010 em Artigos

Londres: um prato cheio de eventos de Web

Jacques Chueke fala sobre recentes palestras relacionadas à Internet e ocorridas no Reino Unido.

Por (@jchueke)

Viver em Londres tem me trazido alguns benefícios: a maior parte dos eventos na Inglaterra relacionados à Internet e software acontecem aqui. Tive a oportunidade, na semana de 8 a 12 de novembro, de participar da Internet Week Europe: London e de eventos promovidos pelas empresas Google UK, Yahoo! UK e Ideo. Além disso, no dia 11, estive no World Usability Day: London, excelente iniciativa que ocorre simultaneamente em diversos países (incluindo o Brasil), e que promove a boa usabilidade e o bom projeto Web.

 

Foi formidável verificar durante os eventos que o interesse pelo assunto cresce exponencialmente, reunindo palestrantes de altíssimo nível e um público extremamente interessado e culto com relação ao assunto. Os comentários e participação são provenientes de gente que sabe do que está falando. A ingenuidade inicial que se observava há cinco anos se torna algo raro. O público conhece os aplicativos e a mídia, bem como as oportunidades que esta traz no que se refere à geração de receita, mídias sociais, ferramentas multimídia, evolução do meio e novas oportunidades de negócio.

RUMO À SEDE DA GOOGLE BRITÂNICA

No último dia 8,  visitei a sede da Google UK para presenciar dois eventos: Google Talks – Cloud based webapps for fun & profit e HTML5 made visible with canvas. O primeiro, proferido por Jason Cartwright, da Google e da Potato London Ltd, aborda a construção de aplicativos Web: plataformas tipo nuvem, para hospedagem de aplicativos como o Google AppEngine, que permite que programadores individuais possam acessar e desenvolver ferramentas (a exemplo blogs, livro de visitas, fórum, enquetes etc.) no mesmo nível de grandes empresas.

A automação de eventos foi outra tendência abordada, como o tratamento digital de imagens em aplicativos Web via servlets (aplicativos rodando no servidor aonde o website está hospedado), bem como programas criados para encontrar, armazenar e organizar dados – e apresentá-los de forma visual (data visualization é outro tema na moda na Europa). Programas “conversando” com programas.

A segunda palestra foi apresentada pelo tecnólogo Paul Truong. Ele exibiu a pesquisa desenvolvida pela Google sobre HTML5, como o elemento canvas e aplicativos de desenho na qual as imagens e animações são inteiramente geradas através de Java Script – permitindo, inclusive, interatividade, como games. Os benefícios são inúmeros, a citar o peso em kbytes dos aplicativos. Novamente foi apresentado o conceito de “data fetching”, onde aplicativos Web capturam dados da Rede, automaticamente, gerando visualização em gráficos, arte abstrata, 3D etc.

 

O HTML5 possibilita inclusive a captura multimídia, a exemplo o reconhecimento da voz do usuário e a tradução do que foi dito em texto. Segundo Paul, a tecnologia vai aproximar ainda mais aplicativos baseados em Web em termos de comportamento da interface de interações desktop, como arrastar arquivos de pastas para o navegador no intuito de anexar estes a uma mensagem, por exemplo. Seria um sistema operacional baseado na Web, na sua melhor forma, teoricamente. Paul mencionou também que com o HTML5 não será mais necessário transmitir vídeos a partir de Flash, como se faz atualmente na maioria das vezes. Mais uma vez, via script, será possível anexar e exibir filmes no navegador. Esperemos que a guerra dos browsers, no que se refere à codificação W3C, permita o melhor aproveitamento da tecnologia.

PALESTRAS NA SEDE DA YAHOO! UK

Nos dias 8 e 11 de novembro, visitei a sede da Yahoo! UK, onde pude acompanhar duas palestras extraordinárias: Three Screening – Fact, Fiction or Fad? e Yahoo! The Science of Search. A primeira abordou a evolução e introdução de novos gadgets e devices que se comunicam com a Internet, como iPads, Androids e os muito antecipados celulares rodando Windows 7. Destaco alguns comentários emitidos pelos panelistas sobre o tema supracitado: de imediato, se falou na perda de foco. Muitas vezes, a inovação que a tecnologia traz sobrepõe o tema ou o objetivo da propaganda em si. Inicialmente, deve ser definido o que será anunciado para então estruturar o formato do anúncio e a definição da emissão (broadcast). Comentou-se também que todos os canais de distribuição (todas as mídias) devem ser usados – para garantir o alcance máximo da promoção do novo produto/tecnologia. Mas a conexão, a relação entre os meios, a citar mídia impressa com Internet, TV com mobile e todas as combinações possíveis, devem ser vislumbradas. Afinal, um empreendimento só se descobre como sucesso apos se tornar um sucesso, e para isso as pessoas devem saber de sua existência…

Falou-se também em formas de medição da propaganda para geração de receita, um dos assuntos favoritos para quem trabalha com marketing e campanhas. Na internet, com o “click” do mouse é possível capturar aonde o usuário clicou, quanto tempo ficou na página, o próprio movimento do cursor pela tela etc. Com dispositivos de toque e multitoque, a coisa muda de figura. Não é tarefa fácil capturar click rate em aplicativos que funcionam independentes, digamos assim, do navegador – e muito menos em combinação de um dedo ou mais sobre a tela, em gestos de zoom, entre outros. E seres humanos não carregam “cookies”. Fica a dica: pesquisa em propaganda deve ser aumentada.

 

O potencial de uso de redes sociais como o Facebook e buscas na Internet também foi abordado. Falou-se na integração entre busca e aplicativos. Sem dúvida, é inquestionável o aprendizado que pode ser obtido na observação dos padrões de comportamento no Facebook de um usuário qualquer: interesses diversos, como jogos, assuntos, temas, sexo etc. A comunhão de empresas como Facebook e Yahoo! ou Google é certeza de benefício para demais companhias. E para o usuário?

Para concluir, cito a mensagem com que a seção foi finalizada: propaganda, nos dias atuais (e com o advento da Internet) está acontecendo em tempo real. Não se planeja mais uma campanha com três meses de antecedência. Os rumos que um projeto Web pode tomar são imprevisíveis. Sucesso pode vir de onde menos se espera e, portanto, o marketing deve se tornar muito mais reativo, do que estratégico.

Sobre o autor |

Mestre em Design, PUC-Rio. Atualmente cursando seu PhD no Centre for Human Computer Interaction Design, City University London. Eventualmente postando dicas culturais de Londres e Europa no JW ;-).

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