Mario Cavalcanti
por — 11/09/2008 em Notícias

MediaOn: conteúdo cidadão é relevante

Representantes de portais de conteúdo gerado pelo usuário foram unânimes na questão

Da esquerda para a direita, o moderador Antonio Prada, Márcia Menezes, Marco Chiaretti e Lila King (Foto: Daniela Ramos).

 Daniela Ramos, de São Paulo

Lila King, produtora sênior da CNN.com, abriu as apresentações explicando o funcionamento do iReport, seção colaborativa do veículo, que causou um impacto "na mudança do conceito da notícia". O conteúdo gerado pelos usuários não passa pela moderação da equipe de editores, que tem nove jornalistas, mas funciona na dinâmica de mobilização da comunidade, que expulsa conteúdos falsos ou indesejados, como uma foto enviada por um internauta de um incêndio na Escócia, fraude logo identificada pelo grupo, relatou Lila.

A dinâmica, segunda ela, é "simplesmente falarmos o que é bem-vindo ou não, e para os usuários relatarem o que é violação. As colaborações são melhores a cada dia". Funciona porque "há diálogo com a comunidade, comprometimento sério de verificação de dados, uma equipe dedicada e treinamento distribuído", e também porque a colaboração é aproveitada para a cobertura em todas as plataformas de mídia da CNN, contou a jornalista. As próximas novidades são os investimentos em Google mashups, como mapear as contribuições geograficamente (através de mapas virtuais) e explorar a contribuição por dispositivos móveis.

– Estamos felizes em ver os usuários formarem parte do diálogo – finalizou  King.

O diretor de conteúdo digital do Estadão e do Limão, Marco Chiaretti, falou do conceito do segundo portal, que foi lançado há 8 meses tendo o público jovem como alvo, e que hoje conta com 500 mil cadastros, 350 mil perfis e de 30 a 40 mil page views por dia. Chiaretti não concorda na insistência em chamar a Internet de "nova mídia", já que existe há 15 anos, e disse também que a questão é "dar visibilidade à colaboração do usuário". Para ele, "o Foto Repórter é um exemplo de visibilidade de conteúdo do usuário". E recentemente a capa do jornal impresso do grupo estampou contribuições do Limão sobre as Olimpíadas. Para os colaboradores serem responsáveis, a estratégia do Limão foi pedir o CPF na hora do cadastro, o que, para Marco, certamente "restringiu o número da cadastrados. Era mais fácil não ter pedido, mas ao mesmo tempo não temos problemas de conteúdo que afetam outras redes, como o Orkut", ponderou. E anunciou uma novidade: "o próximo passo é abrir a colaboração no jornalismo de texto".

No Vc no G1, seção cidadã do portal G1, o desafio é a checagem contínua da informação enviada pelos usuários. Existem quatro jornalistas trabalhando com esta missão no portal.- A gente dá muito valor e relevância à informação, e a CNN, mais para a opinião – comparou Márcia Menezes, editora-chefe.- Ainda estamos formando um ranking de usuários, as pessoas usam o G1 para mandar informação, mas acham que essa informação pode ser copiada de outros meios de comunicação – completa.Ao mesmo tempo, Márcia acha que "podemos ouvir e aprender mais com as pessoas" e que não estão "criando uma rede social nova". A companhia acaba de lançar um produto novo, o Globoamazonia.com, pelo qual o cidadão pode denunciar queimadas e desmatamentos. Logo após o lançamento, 123 mil instalaram o software no o Orkut e mapeou-se 4 milhões de protestos.

– É uma forma de usar um aplicativo de forma colaborativa, e ter a contribuição para gerar  informação relevante. O Amazônia é o primeiro – acredita a jornalista.

Antonio Prada, diretor de Mídia do Terra e mediador do painel, perguntou sobre o que a colaboração mudou na rotina jornalística. Márcia foi categórica ao afirmar que a colaboração dos usuários "ajuda a ficarmos mais atentos, pois eles nos cobram mais, nos ajudam a perceber coisas que são importantes localmente para uma comunidade e que antes não notávamos. Ajuda a fazer uma nova agenda". Para Marco, "a contribuição dos leitores nos mostra a enorme capacidade de errarmos". Já Lila acredita que "a missão é ouvir e deixá-los colaborar" e que "a contribuição ajuda a tornar a notícia melhor".

A única pergunta que poderia incomodar um pouco mais foi do professor Fábio Malini, que questionou uma possível divisão do lucro da publicidade com os usuários e o motivo das empresas não aplicarem a licença compartilhada, Creative Commons, mas se apropriarem do copyright.

– Fazemos isso para nos proteger de possíveis processos – respondeu Márcia, para quem a receita gerada não é significativa para uma distribuição de dividendos.

No Grupo Estadão, Chiaretti identifica uma tendência em usar a licença compartilhada, já aplicada ao recém lançado Vereador Digital.

– Não queremos que o usuário deixe de publicar no seu blog, Facebook ou qualquer outra plataforma – apontou Lila.

A colaboração das empresas com a informação gerada pelo usuário, ao que parece, é um caminho sem volta. JW.

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