Mario Cavalcanti
por — 11/01/2008 em Notícias

Software simula futuros para Amazônia

A partir do cruzamento de dados, programa cria modelos digitais da região

Agência Fapesp

Divulgação: mapa gerado pelo SimAmazônia.A Amazônia poderia colocar em um futuro mercado de carbono, até 2050, devido ao desmatamento reduzido, cerca de 17 bilhões de toneladas de carbono que seriam emitidos para a atmosfera, caso persista um cenário de desmatamento pessimista.

Isso seria o equivalente a poupar quatro anos das emissões globais de poluição. As projeções são do SimAmazônia, programa de modelagem computacional desenvolvido para simular cenários na região.

A partir do cálculo de milhões de dados, ambientais e econômicos, o SimAmazônia é capaz de criar modelos digitais, detalhados e complexos, para prever o comportamento ou a evolução ambiental de uma região específica. Parte das propostas desenvolvidas com base no software foi apresentada em dezembro na 13ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-13), na Indonésia.

– O mais interessante é que o programa passou a ser utilizado para subsidiar novas políticas públicas para a região – disse Britaldo Silveira Soares Filho, um dos coordenadores do projeto de desenvolvimento do SimAmazônia, conduzido no âmbito do Programa Cenários, vinculado ao Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA).

O Projeto Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), apoiado pelo governo brasileiro e por instituições como Banco Mundial e WWF-Brasil, utiliza informações geradas pelo SimAmazônia para identificar as áreas mais ameaçadas pelo desmatamento na região. O objetivo é torná-las áreas de conservação permanente, uma das saídas consideradas mais eficientes para a preservação da floresta. Os cenários são criados a partir da inserção de dados político-econômicos, além de sociais.

– Com o software é possível identificar as áreas mais ameaçadas pelo desmatamento, ou de maior pressão, e utilizar essas informações para orientar investimentos futuros -, explica Soares, que também é professor da Universidade Federal de Minas Gerais.

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