Mario Cavalcanti
por — 04/09/2007 em Notícias

Navegando pelo Tocantins

A jornalista Ana Maria Negreiros comenta o atual cenário de jornalismo online no estado mais jovem do Brasil

Por Ana Maria Negreiros (*)

Imagem ilustrativa: estado vem apresentando cescimento no número de sites de notícias de qualidade.Enquanto o Brasil já vivia o advento da Internet, o mais jovem estado do país ainda nem sabia o que era ter notícias locais em tempo real. Esta parecia ser uma realidade muito distante. Ninguém sequer se aventurava. Até que em 2005, a chance de saber o que acontece no mesmo dia, praticamente com o fato, começou a ser ventilada. Com isso, surgiu o primeiro site noticioso, em tempo real, o Cleber Toledo, do jornalista homônimo.

Após conquistar o internauta – e passar a ser a principal fonte de informação em 2006 dos bastidores políticos – em 2007 começou a explosão de sites noticiosos no estado. Hoje, já são mais quatro sites que publicam a notícia em tempo real. Mas não é pouco? Para um estado como o Tocantins, que vive um momento de crise na imprensa, em que há dificuldades financeiras, não é. Hoje, os veículos de comunicação sofrem com a falta de anunciantes na iniciativa privada e ainda mantêm-se dependentes dos anúncios do poder público. Com isso, manter um veículo de comunicação tornou-se uma atitude corajosa, mas de muitos sacrifícios.

Além disso, o número de habitantes com acesso à Internet ainda é pequeno, comparado proporcionalmente aos demais estados. Até os sites institucionais ainda estão engatinhando. Nem todas as cidades possuem seu site oficial. O que se tem hoje no estado, é novidade. Quase todos os jornais impressos já estão na Rede, mas ainda não fazem jornalismo em tempo real, e sim uma adaptação de suas edições impressas. O único que diferencia, tendo as duas formas, é o semanário O Jornal. Lançado em abril deste ano, as notícias são atualizadas, de acordo com o site, a cada três minutos. E sua versão impressa é disponibilizada aos domingos, data que circula o semanário.

Mas exemplos como estes são iniciativas que estão abrindo as fronteiras do Tocantins. Já que antes, apenas os portais do Governo do Tocantins e da Prefeitura de Palmas trabalhavam a informação em tempo real. O Cleber Toledo tornou-se a principal fonte de informação do internauta tocantinense, chegando inclusive a pautar a imprensa local. A realização de chats com políticos e autoridades fez com que diversos temas polêmicos pudessem ser abordados com a participação do internauta.

O site também inovou com a utilização da interatividade. Os comentários transformaram-se em 2006 num verdadeiro ringue eleitoral. Partidários passavam a discutir ali os temas ligados a campanhas e a criar um debate paralelo ao meio político. Com essa conquista, diversos empresários resolveram aderir a esta linha, como o EstadoWeb. A concorrência pela conquista do internauta está fazendo com que os sites noticiosos do Tocantins evoluam, não apenas no quesito informação, mas também em layout e navegabilidade. Assuntos estes que sequer eram discutidos no meio universitário até 2002.

Agora, apesar de a notícia local estar evoluindo na Internet, o conquistador desse meio no estado ainda está nos sites que realizam coberturas de eventos. Quem está numa festa na capital, Palmas, ou em Gurupi e Araguaína, sempre é clicado, e imediatamente já recebe um cartão com o endereço do site, que tem acesso livre. Esses sites, como o Universo Jovem e o Você D+ – este último já expandiu sua cobertura para a capital de Goiás, Goiânia –, sem dúvida, são os mais acessados.

Com o surgimento dos veículos locais em 2005 na Rede, até os políticos tocantinenses já aderiram à rede, como a vereadora Warner Pires, que recentemente lançou seu blog. Além desse, só o blog do vereador José Damaso.

Essas mudanças em relação à utilização da internet no Tocantins estão mudando até mesmo o jeito de alguns administradores realizarem seu trabalho. O prefeito do município de Santa Rosa, a 166 km de Palmas e com menos de cinco mil habitantes, não conseguiu aceitar o fato de a cidade não possuir acesso à Internet e implantou um projeto de inclusão digital audacioso, com a construção de uma torre de transmissão de dados com 28 m de altura. Com a torre em funcionamento, a prefeitura passou a disponibilizar a todos os moradores o acesso à Internet. Quem tem computador em casa, paga uma taxa de R$ 38,00 na prefeitura e utiliza o serviço. Quem não tem, usufrui de um telecentro e das escolas do município – e até dos órgãos públicos, que deixam um computador com acesso aos moradores. O sistema usado é wireless.

Para o prefeito, o programa de inclusão digital de Santa Rosa é uma maneira de incentivar a busca por oportunidades e conhecimentos, e não deixar a cidade isolada. O projeto é novo, terminou de ser implantando em agosto, mas já conta com seu site.

Iniciativas como essa, tanto de novos produtos na rede, como políticas públicas de inclusão digital, demonstram que a igualdade nos serviços e nas informações Brasil a fora é possível.

*Ana Maria Negreiros é jornalista especialista em Marketing Estratégico. Foi professora de jornalismo online na Universidade de Gurupi (Unirg) ex-assessora de comunicação da Prefeitura de Palmas.

Mario CavalcantiNavegando pelo Tocantins