Mario Cavalcanti
por — 15/07/2007 em Notícias

Por um jornalismo mais saudável

Obra de professor americano de jornalismo debate a sobrevivência do jornalismo na era da informação

Por Mario Lima Cavalcanti (*) 

Divulgação: livro sugere discussões em torno do papel do jornal na era da informação.Na mesma semana em que o jornalista californiano Howard Owens lista em seu weblog o que ele considera os oito erros históricos cometidos pela indústria do jornal, eis que é lançada no Brasil a versão em português de uma obra que discute a sobrevivência do formato jornal, orientando o leitor sobre a história desse meio, suas fórmulas, fracassos, sucessos, receitas e vícios.

Com muitas histórias, referências e informações históricas, "Os Jornais Podem Desaparecer?" (Editora Contexto, 272 páginas), de autoria do professor americano de jornalismo Philip Meyer, aborda a concorrência do modelo de jornal tradicional com as novas mídias e passeia por diversos temas que circulam a indústria do jornal desde o seu início, como credibilidade, publicidade, interesses de anunciantes, legibilidade e exatidão.Em um dos capítulos, Meyer sugere uma salvação para o jornalismo. Parte dessa sugestão estaria ligada ao que ele conta na página 44, onde diz que "a adaptação dos jornais tem sido lenta, porque sua cultura é vítima dessa história de dinheiro fácil", referindo-se ao círculo criado durante grande parte do século XX, quando, segundo Meyer, os monopólios criados por jornais norte-americanos eram "pedágios pelos quais a informação trafegava". Modelos enferrujados como esse estariam comprometendo a vida do jornal.

Nesse contexto da adaptação e da salvação do jornalismo, o autor descreve que "ser dono de um jornal era como ter o poder de recolher um imposto sobre as vendas", arrisca dizer que "as novas tecnologias estão se desviando desse gargalo" e oferece o "jornalismo alternativo" como opção, não deixando de mencionar feitos incríveis realizados por fundações e organizações americanas ligadas à prática do jornalismo e ao treinamento de novos profissionais, entre elas, conhecidas do noticiário do JW, como o Poynter Institute, na Califórnia, e a James L. Knight Foundation, que incentiva projetos com foco no jornalismo comunitário e premia – com dinheiro vivo – iniciativas inovadoras em métodos jornalísticos que contribuem para conectar cidadãos.

A obra de Philip Meyer é, em sumo, uma pequena história do modelo de jornal impresso criado no Estados Unidos – e seguido por muitos países -, um material de estudo para as novas gerações de jornalistas, um despertador para o bem do jornalismo.

Como bem diz na quarta capa do livro o jornalista Ricardo Noblat, conhecedor do assunto – e que, por sinal, escreveu uma obra jornalística lançada pela mesma Contexto ("A Arte de Fazer um Jornal Diário") -, "Que viva, pois, o jornalismo! Porque pouco importa a forma que os jornais venham a tomar no futuro, pouco importa se alguns deles acabarão preservados como espécies de relíquias – o homem sempre precisará de informações".

Serviço:

Os Jornais Podem Desaparecer?
Meyer, Philip
Editora Contexto
Ano: 2007
Páginas: 272
Preço:  R$ 43,00
Formato: 16x23cm
ISBN 978-85-7244-363-0
Site oficial da obra

*Mario Lima Cavalcanti é diretor executivo e editor do JW.

Mario CavalcantiPor um jornalismo mais saudável