Mario Cavalcanti
por — 27/06/2002 em Notícias

O Copy-and-paste na Web

Por Tina Andrade. A jornalista comenta que plágio no meio online ainda é muito relativo e dá sua opinião sobre o tema polêmico

Por Tina Andrade (*)

Venho acompanhando uma recente discussão sobre plágio de conteúdo (dentro e fora da Web). Vez ou outra eu dou meus "pitacos", mas só gosto de abrir a "boca" (pra não dizer "dedilhar no teclado") quando tenho (quase) certeza: é que parto do princípio que nesta vida tudo é relativo. Por isto decidi escrever este artigo.

Que o cibermundo não nos ouça, mas, exceto o material publicado e registrado na Biblioteca Nacional (no nosso caso), tudo aquilo que se lança na Rede é passível de ser compartilhado (leia-se "copiado e colado"). Para estar dizendo isto é porque consultei especialistas numa ocasião que desejei postar conteúdo privilegiado na internet.

Para evitar algumas indisposições eu arquivo duas versões: uma original, devidamente registrada e outra, compacta (sem os dados enriquecedores – e que fazem a diferença – que costumamos chamar de o "pulo-do-gato"), por que estou plenamente consciente de que aquele conteúdo será duplicado, triplicado, replicado aos montes!

Uma dica? Várias. Afinal, "cooperar" é o meu sobrenome:

Uma boa tentativa de proteger os direitos autorais do seu conteúdo é publicar as obras em HTML, com dados do(s) autor(es) inseridos no código-fonte. Insira também seu(s) nome(s) e outros dados que tenham grande significância apenas para os envolvidos – como classificações numéricas e nomenclaturas – nas metatags da página. Isto vai ajudar (e muito) na rotina de realizar buscas periódicas que você deverá começar a fazer. Uma vez por semana eu entro com estas (das metatags) palavras-chaves no Google e faço uma festa! 

Outra: coloque o número fornecido pelo Escritório de Direitos Autorais (EDA) em algum lugar visível e uma frase de efeito MORAL do tipo: "Sugerimos que solicite autorização ao(s) autor(s) desta obra antes de sua duplicação, de acordo com a Lei de Direitos…". Vale dizer que para registrar uma obra no EDA não vai custar mais de R$ 20. No site da Biblioteca Nacional você vai encontrar um passo-a-passo e endereços dos escritórios por todo o Brasil.

Só pra finalizar, vale dizer que sempre envio meus textos com certificação digital até pra minha mãe! A certificação digital (no meu caso "pessoal") serve para dar autenticidade a um endereço eletrônico, ratificando a sua procedência. Ou seja, serve para dizer que o endereço de um determinado remetente pertence mesmo à pessoa que o assina e permite ao destinatário checar seus dados pessoais que ficam guardados na conta do certificador – que passa a endossar cada correspondência do usuário do serviço, seja ele pessoa física ou jurídica. O melhor comparativo são as cópias autenticadas. O certificador é uma espécie de "cartório de ofícios digital".

Uma dica para os mais experientes no uso da tecnologia de informação é usar um script (linguagem de programação) para embaralhar o código-fonte do seu documento em HTML, já que travar o botão direito do mouse já virou brincadeira de criança.

A gente se defende como pode… Mas, relaxe… O poder das networks está disparando e, na minha modestíssima opinião, a melhor maneira de evitar o plágio ainda é, foi e sempre será tornar a sua obra pública para o maior número de pessoas possível! Basta saber transformar internautas-de-carteirinha, "listeiros", leitores assíduos, formadores de opinião em fiéis escudeiros… Como? Relacionamento: transparente, bem-humorado, interessante. Porque o bom quando se fala em Web é mesmo saber lidar com gente.

*Tina Andrade é jornalista techie, gestora de informação e conteúdo, professora das disciplinas de Legislação e Ética (Jornalismo) e Comunicação Empresarial, além de consultora em projetos de comunicação e webjornalismo.

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