Mario Cavalcanti
por — 17/12/2001 em Artigos

NYT.com aposta em pacotes de conteúdo

Tolkien Archives traz em forma de hotsite diversos materiais editorias para promover o filme ‘O Senhor dos Anéis’.

Por (@mariocavalcanti)

O New York Times colocou no ar recentemente o Tolkien Archives, espécie de hotsite promocional que traz diversos materiais editoriais – alguns deles com décadas de vida – para ajudar a promover o filme “O Senhor dos Anéis” (“The Lord of the Rings”), que estréia nos cinemas norte-americanos no próximo dia 19.

No conteúdo, atualizado semanalmente e que o jornal chama de algo como “artigo patrocinado” (sponsored feature), o internauta encontra resenhas de livros, arquivos de áudio, trívias (quizzes) e até uma entrevista do New York Times Magazine de 1967 com J. R. R. Tolkien, o criador do conto. Sem dúvidas, um pacote de atrativos tanto para quem é fã quanto para quem não conhecia a história.

Segundo depoimento de Scott Meyer (vice-presidente e general manager do New York Times on the Web) no evento Content Summit, o patrocinador – no caso os produtores do filme – foi quem decidiu que tipo de conteúdo editorial entraria no pacote. Isso quer dizer que se houve alguma resenha negativa feita pelo jornal, por exemplo, ela não entrou no pacote. E qualquer outra crítica negativa foi omitida.

Em termos de jornalismo, há quem não concorde muito com esse tipo de ação.

– O site me parece ótimo, mas o New York Times transformou conteúdo editorial em propaganda. No meu manual, isto é errado. Mais sagrado que a separação mítica entre Igreja e Estado é a separação entre conteúdo editorial e anúncios – afirma   David Feld, editor online do The Times Herald-Record, que acha o conteúdo do Tolkien Archives “advertorial” – contração de advertising (anúncio, em inglês) com editorial.

Para o jornalista Guilherme Simões Reis, os anunciantes não podem influenciar o conteúdo.

– O que não é correto acontecer é a preocupação com os anunciantes influenciar o conteúdo editorial. Se um supermercado está vendendo comida estragada, isso deve ser noticiado, mesmo que ele anuncie no veículo jornalístico. Da mesma forma, notícias não podem ser ignoradas por “serem muito fortes” para os anunciantes. Um veículo juntar notícias verdadeiras sobre um mesmo tema em um único produto não só não me parece ruim como eu considero uma idéia bem interessante – diz.

Questões éticas à parte, o conteúdo reunido na versão online do The New York Times é precioso, e a idéia, oportuna.

Em tempo:

– John Ronald Reuel Tolkien (1892-1973) foi responsável por algumas das melhores histórias fantásticas já feitas. Qualquer obra sua é recomendada;

– Content Summit é uma conferência que objetiva debater o desenvolvimento da mídia interativa.

Sobre o autor |

Jornalista, developer, carioca e nerd de carteirinha. Editor do site Jornalistas da Web e adepto da retrocomputação.

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