Mario Cavalcanti
por — 22/10/2001 em Notícias

Matérias especiais caem bem no jol

Raphael Perret aponta as coberturas especiais feitas por diários online como um diferencial do meio

Por Raphael Perret (*)

Na (produtiva) ânsia de oferecer mais informações e de não ser meras representações virtuais de suas versões impressas, os jornais online costumam inserir ícones animados indicando ao leitor que, se ele clicar ali, pode obter mais dados sobre assuntos interessantes no momento. São as matérias especiais, em que o grau de informação é mais alto do que nas notícias. Sempre houve este tipo de reportagem nos jornais impressos. Porém, na Web, essas matérias ganham mais importância justamente por causa dos recursos que a internet oferece.

Tome-se o exemplo da tensão internacional iniciada em 11 de setembro. Desde então, os sites especializados em notícias – ou a maioria deles – colocaram chamadas para páginas em que são apresentados dados relacionados ao conflito. Todo dia, a qualquer hora, é possível pesquisar por informações anteriores – como, por exemplo, dos ataques aéreos ao World Trade Center. 

É evidente que as reportagens especiais se esgotam, e um dia são tiradas do ar. Entretanto, em geral ficam dias, semanas, meses no site. Essa permanência seria impensável em um jornal impresso: nenhum veículo dessa mídia publicaria todo dia as mesmas informações sobre o mesmo assunto com a mesma profundidade. Papel custa dinheiro.

Mas não é apenas a questão do espaço-tempo que facilita as coisas para os jornais online. Um de seus maiores recursos, por ser atraente e dinâmico, é a possibilidade de utilizar diversas formas de transmitir a mensagem. No papel, as informações podem ser passadas via texto, fotos ou gráficos. Na Web, idem. Porém, poucos obstáculos impedem que vídeos e animações também sejam utilizados, incrementando a qualidade de informação.

Claro que nem tudo são flores. Quando um jornal impresso traz um caderno especial, se o leitor quiser ter o material pra sempre basta pegar o caderno e guardar com carinho. No caso dos sites, é difícil salvar o conteúdo da matéria especial. Em geral, ela é formada por muitas páginas, com várias mídias e fica complicado armazenar no disco rígido todo o material. Neste caso, ponto para o papel (embora registre-se a sugestão de oferecer ao internauta uma "versão para download", com os arquivos compactados).

Enfim, a existência, de certa forma abundante, de reportagens especiais em sites de notícias nada mais é do que a transposição de um recurso freqüentemente utilizado pelos jornais impressos para a Web. Porém, é inegável que houve uma adequação quase perfeita deste tipo de conteúdo jornalístico à mídia digital. Neste período ainda de adaptação do jornalismo à internet, quem lucra é o leitor.

Em tempo:

Elisa Travalloni é coordenadora de conteúdo do JB Online, especialmente dos canais Musicalidade e Inter.net, e já coordenou algumas matérias especiais produzidas pelo site, como sobre carnaval e os 5 anos da morte de Renato Russo. Confira abaixo um breve bate-papo com ela sobre o título do artigo:

JW – Como se definem os temas dos especiais? Quais os critério?

ET – Não há critérios específicos, geralmente nos baseamos em datas e eventos especiais ou então em assuntos do momento. Por exemplo, a questão mundial hoje merece uma página especial, com outras informações que não apenas a do dia-a-dia. Quando a plataforma da Petrobras afundou, o assunto mereceu destaque, então, fizemos uma página especial, utilizando animações em flash para mostrar como foi o processo.

JW – Quais os exemplos das matérias baseadas em datas e eventos?

ET – Os 5 anos da morte de Renato Russo, 30 da morte de Jim Morrison. De eventos, a Bienal do Livro, eleições, Olimpíadas, Copa do Mundo, Reveillon e Carnaval.

JW – Definido o tema, como é feita a coleta de material?

ET – Quando é um assunto passado, como Jim Morrison e Renato Russo, por exemplo, fazemos pesquisa em todo tipo de material: livro, jornais, fotos, entrevistas antigas. Além disso, buscamos informações atuais, o que os integrantes dos grupos estão fazendo, repercussão atual… Quando é um assunto recente, usamos entrevistas, reportagens, fotos (sempre, o leitor adora galerias), animações em flash. Se o assunto está em andamento, como eleições e Olimpíadas ou a guerra dos Estados Unidos contra o Afeganistão, colocamos o Tempo Real, com as noticias diárias sobre o assunto.

JW – Quais as diferenças de um "especial" em um jornal online para uma similar num jornal impresso?

ET – Limitação de espaço, que não existe no ambiente online é uma das diferenças estruturais. Podemos colocar quantas páginas forem necessárias para abordar o assuto. A linguagem tb é diferente, usamos diferentes meios de atrair o leitor, fontes, cores, imagens, links. No caso do Renato Russo, o jornal deu uma página, nós demos várias, com muito mais informação. Se o jornal quiser, pode fazer um caderno especial, como fizeram sobre o João Gilberto. Mas, nesse caso, precisa-se de mais dinheiro e que seja um assunto muito forte. 

JW – Procura aproveitar os recursos da internet, como som, animações, vídeos, links externos etc?

ET – Sim, sempre. É o que nos torna interativos, dinâmicos e com uma linguagem ainda em construção. Imagem é sempre bom, as galeria atraem visitantes. Os vídeos usamos com parcimônia, porque ainda não temos muita tecnologia para isso.
 
Alguns especiais online:

Estadão – Especial A 1ª Guerra do Século
Folha Online – EUA em Guerra
O Globo On line – Especial Guerra ao Terror

*Raphael Perret Leal é jornalista e cientista da computação.

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