Mario Cavalcanti
por — 25/09/2001 em Artigos

Videofones revolucionam coberturas

Dispositivos permitem que um jornalista faça sozinho e de forma cômoda uma completa reportagem.

Por (@mariocavalcanti)

Estes dispositivos estão chamando a atenção dos profissionais de comunicação. Com eles é possível que um jornalista, sozinho, faça uma completa reportagem, e de forma cômoda.

Em sua maioria, os videofones podem ser alimentados por baterias de câmeras e de automóveis. Permite retransmitir via satélite imagens de uma câmera de vídeo para estações remotas (como caminhões-satélites) e podem ser operados por uma simples pessoa.

Quem melhor pode dar uma notícia local que uma pessoa que esteja no local do acontecimento? Mesmo não tendo sido, à princípio, fabricados para tal finalidade, os videofones da empresa britânica de tecnologia 7E Communications tiveram um papel importante na cobertura realizada pela CNN dos atentados nos Estados Unidos no dia 11 de setembro: Nic Robertson, correspondente da CNN no Afeganistão, foi o “cientista por trás da experiência”. Ele conseguiu, a partir de um videofone modelo Talking Head, transmitir reportagens de Cabul, capital do Afeganistão, direto para o mundo.

– Durante anos dependemos da boa vontade das autoridades e TVs locais para transmitir notícias internacionais, inclusive aqui no Brasil durante a ditadura e agora, com uma tecnologia simples e barata, qualquer jornalista pode entrar ao vivo numa rede de TV mundial – diz Antonio Brasil, jornalista com anos de experiência em telejornalismo.

– Assisti algumas matérias do correspondente da CNN no Afeganistão e as imagens e o áudio melhoraram muito. Numa tarde, para surpresa geral, o pobre do Nic chegou a desmaiar em frente à pequena câmera do videofone. Durante uns 10 minutos todos em Atlanta e os telespectadores do mundo inteiro ficaram muito preocupados e, finalmente, ele voltou, com uma cara totalmente amarela, tranquilizando a todos e dizendo que era ‘só um mero envenenamento alimentar’. Mas deu para mostrar o potencial da pequena tecnologia. Uma cobertura total, rápida, barata e eficiente em qualquer lugar do planeta e ainda mais, sem ninguém notar – completa Brasil, que também é coordenador do curso de Comunicação Social da Unicarioca e professor de telejornalismo da Uerj.

Em 1998, o site CNN.com publicou um artigo da IDG sobre o equipamento que, na época, estava se tornando popular nos Estados Unidos. Mas nem a própria emissora deveria ter imaginado que o “bichinho”, independente do modelo, teria tamanha utilidade, visto que videofones eram mais usados para conferências e até para entretenimento.

Segundo depoimento de Nic no jornal O Globo de 19 de setembro, o equipamento “põe você no coração da história e permite transmissão ao vivo em minutos”.

Videofone na TV: CNN foi a pioneira

A cobertura via videofone realizada por Nic Robertson não foi a primeira. No início deste ano, a CNN utilizou um videofone para cobrir a libertação dos reféns que a China manteve em um avião norte-americano por 11 dias. Mais uma vez a emissora foi a pioneira com o uso do videofone como ferramenta de telejornalismo.

Quando questionado sobre se o videofone possui pontos negativos, Antonio Brasil já tinha a resposta na ponta da língua.

– Pontos negativos? Sempre. Nas mãos de jornalistas inescrupulosos, como toda tecnologia poderosa, é perigosa! Qualquer um pode entrar ao vivo de qualquer lugar e dizer muitas mentiras. Vai depender de quem produz e de quem assiste! Mas assim como o videojornalismo, a produção de um homem só no telejornalismo, o videofone é inevitável! Um passo pela democratização da cobertura ao vivo internacional. O videofone não é moda, é uma tendência mundial de baratear custos da cobertura internacional. Ou seja, é a única alternativa em tempos de crise – conclui Brasil.

Sobre o autor |

Jornalista, developer, carioca e nerd de carteirinha. Editor do site Jornalistas da Web e adepto da retrocomputação.

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