Raphael Perret
por — 24/09/2001 em Artigos

Arquivo Premium: pagando pra ver

Raphael Perret comenta o novo serviço do Globo On, que permite pesquisar o arquivo noticioso dos jornais O Globo e Extra

Por (@rperret)

O Globo On tem passado recentemente por várias mudanças. A primeira, mais óbvia, foi a visual, implantada já há algumas semanas. Foi uma transformação elogiável: o site deixava de ser apenas uma cópia da versão impressa do jornal O Globo e aproveita-se, hoje, de mais recursos compatíveis com o tipo de mídia em que está inserido.

A mais recente novidade do Globo On é o “Arquivo Premium“, seção em que o leitor pode buscar por textos publicados pelo jornal O Globo desde 1997 e pelo jornal Extra – diário que não tem versão online – desde seu lançamento, em 1998. Artigos e reportagens procuradas na última semana são gratuitos. Para a visualização de textos mais antigos, porém, é cobrada uma taxa.

Quem entra no site e vê, lá no canto esquerdo inferior, uma seção de busca, separada do link para o “Arquivo Premium”, pensa que este não é nenhuma inovação. Ledo engano. Tal seção, intitulada simplesmente de “BUSCA”, procura no conteúdo recente do Globo On (até 7 dias antes), e não das edições do jornal impresso, que é o diferencial do “Arquivo Premium”. Até porque a versão virtual do Globo não é tão fiel ao original impresso: tente encontrar, no site, as cartas dos leitores, por exemplo.

O mais estranho do “Arquivo Premium”, na verdade, é a cobrança da taxa para textos anteriores a 7 dias. Os sites do Jornal do Brasil e do Estado de S.Paulo, por exemplo, colocam disponíveis praticamente todos os seus conteúdos, que podem ser localizados em ferramentas de busca. Tudo grátis.

Procurei no JB Online a palavra “Brasil”. Os links encontrados são divididos em páginas, mas não há opção de ir direto até o final. O máximo que minha paciência deixou chegar foi a reportagens de setembro de 2000 – e ainda havia mais. O estado.com.br me levou mais longe: até março de 2000.

A Web é uma mídia diferente do jornal impresso. Nela, o espaço é uma grandeza irrelevante. Sempre cabe mais um. Logo, é louvável que o Globo On permita que o leitor busque por edições mais antigas de seus jornais irmãos. A memória de um veículo de imprensa se confunde diretamente com as memórias do país, do povo, do cidadão. E o hipertexto facilita a manutenção de um arquivo histórico – e uma edição de um jornal é uma peça de um quebra-cabeça chamado história.

Por tudo isso, fica a pergunta: por que cobrar pelo acesso à nossa própria memória? E logo num meio cujo maior diferencial é a facilidade de obtenção da informação?

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